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Então, para começar, gostaria que nos falasse o que é a plataforma Peers Inc. Então, Peers Inc é uma nova estrutura organizacional que está mudando como construímos negócios, como trabalhamos,

e por fim, como moldamos economias. É uma nova colaboração que é possível entre o grande, que chamo de Inc,

criando uma plataforma para participação; e o pequeno, o Peers, que está fazendo localização, especialização e customização. Então, essa nova colaboração permite que ambos os lados façam o que fazem melhor.

E é um fenômeno totalmente novo. Porque antes, há muito tempo, eram só as pessoas fazendo as coisas. E tivemos a revolução industrial, onde todas as grandes empresas estavam fazendo tudo da mesma forma.

E agora, porque a Internet existe e cuidar de muitas partes pequenas é fácil, temos esse potencial para um paradigma totalmente novo, onde empresas são muito estreitas, pequenas e eficientes

e empurram tudo para fora de sua empresa. E essas empresas crescem mais rápido, porque estão usando recursos de outros. Aprendem mais rápido

porque estão prestando atenção em cada coisa que acontece. E também são capazes de experimentar, adaptar e evoluir mais rápido porque os Peers estão em todos os cantos.

Então, é um modelo muito poderoso, que é desejável para empresas grandes. E diria que é desejável para indivíduos, porque agora podemos

trabalhar e adicionar valor para coisas em que somos realmente bons, e fazer trabalho que é flexível, de muitas formas diferentes, e estamos no comando. Quando começou o Zipcar,

adotou a ideia porque tinha um problema, certo? E essa é a nova forma de pensar quando está procurando começar um negócio, certo? Buscar problemas e então tentar resolvê-los?

Então, se eu pensar sobre começar o Zipcar, foi uma combinação de 2 coisas. Uma foi que isso era um problema que eu absolutamente tinha.

Tinha 3 filhos, um marido, e um carro. E ele levava o carro para fora da cidade. E eu trabalhava e também tinha as crianças. E pensei: "Só quero um carro por algumas horas por dia."

Não queria ter que ser dona de um e cuidar dele; e onde vivo, limpar a neve. Então, definitivamente inventei porque era algo que queria. Mas o que fizemos que foi diferente foi que aplicamos tecnologia de uma nova forma.

Porque agora podemos lidar com muitos carros e permitir que pessoas façam reservas muito pequenas, de só uma hora por vez. E permitimos que elas estejam no comando. São elas que estão fazendo isso.

E isso foi porque a Internet existia e a tecnologia sem fio podia mandar sua reserva direto para o carro. Então, conseguimos combinar essa nova tecnologia e usar nossos clientes

como nossos auxiliares e colaboradores para criar uma empresa totalmente nova,

e uma nova forma de fazer as coisas que ninguém tinha feito antes. E para quais áreas acha que essa nova economia colaborativa pode se espalhar?

Então, essa colaboração Peers Inc acontecerá e está acontecendo em todo setor da economia. Então, se pensarmos em educação, agora temos cursos online abertos enormes

onde um professor que é muito bom em falar agora está falando para dezenas de milhares de alunos. Se eu pensar em produção, temos essa ideia de impressão 3D

que está surgindo, onde a empresa grande fará a receita, e externamente, todos nós produziremos nossas adaptações locais disso. Se pensarmos em engenharia, muito dos programas de engenharia agora são feitos

em uma plataforma onde muitos engenheiros estão participando. Certamente sabemos que isso já aconteceu no jornalismo, e no espaço da mídia, onde vimos essa fragmentação

e muitos indivíduos estão colocando seu conteúdo em plataformas e sites específicos. Vemos isso na telecomunicação, onde ao invés de uma empresa de telecomunicação

ter tudo acontecendo em uma torre de celular, ou com um celular, agora estamos vendo surgir até no seu celular, onde troca de wi-fi para o celular, de veículo para veículo, e estamos todos combinando forças

para fazer uma infraestrutura sem fio. Então, honestamente, isso está acontecendo em todo setor.

E como acha que isso ajudará o capitalismo? Está completamente mudando o capitalismo. Se pensarmos no capitalismo antigo,

a forma como se obtinha mais valor de seus recursos,

e pelos recursos serem tão caros para se construir uma fábrica, precisava concentrar tudo. E precisava assegurar que empresas tivessem, quero dizer uma pele grossa.

Porque se quisesse obter o que estava dentro da empresa, tinha que pagar muito dinheiro. Então, fazia-se patentes, marcas registradas, e direitos autorais.

E certificava-se pessoas. Porque essa era a forma como se obtinha mais valor. Mas hoje, pela Internet existir, o que é agora verdade é que recursos que são compartilhados

e abertos fornecem mais valor. Então, ao invés de um carro ser dirigido por 5% do tempo, carros do Zipcar são dirigidos por 60% do tempo.

Se pensarmos em dados, ao invés de dados serem o governo só armazenando seus próprios dados, agora está dizendo: "Sabem, eis esses dados interessantes.

Podem encontrar um novo valor com eles?" Se pensarmos em pessoas... Então, em empresas costumavam pensar que tinham as pessoas mais inteligentes trabalhando para elas,

e que ninguém mais tinha quaisquer ideias boas. O que sabemos é que, é claro, fora da empresa há muito mais pessoas inteligentes e inovadoras.

Agora, por estarmos conectados e termos a Internet, podemos encontrar e aproveitar essas pessoas. Então, inovação, criatividade

e especialização estão todas fora da empresa. Nunca esperaria isso acontecer em uma empresa. E então, se pensar nisso como uma pessoa interessada por si,

quando contribuo com algo assim, coloco meu pequeno pedaço de ajuda mas obtenho o todo quando participo. Então, a Wikipedia seria um exemplo. Escrevo, edito 2 coisas e tenho toda a enciclopédia.

Então, o que sabemos é que a forma como se obtém mais valor das coisas é as compartilhando e abrindo. E isso é profundamente diferente do antigo modo,

que era as fechando e mantendo fechadas.

Acho que é inevitável porque é tão verdadeiro que isso é mais valioso, que as empresas que se organizam dessa forma

sabemos que crescem mais rápido. Sabemos que aprendem mais rápido. E sabemos que são capazes de se adaptar em todos os mercados muito rapidamente.

E então, se está fazendo as coisas do modo antigo, não consegue competir. Porque não consegue ir mais rápido que isso. Então, definitivamente veremos essa transição.

Certo. E a sustentabilidade? Essa economia também ajuda a melhorar os recursos, certo? Certo. Então, diria que aborda... A colaboração Peers Inc faz duas coisas:

Uma é por recursos físicos: Absolutamente nos ajuda a usar esses recursos físicos de forma mais eficaz. Porque podemos fazer com que sejam mais usados

e podemos acessá-los muito rapidamente. Mas a outra coisa que faz é que acho que afeta nosso comportamento. Então, quando falamos sobre cidades inteligentes e casas inteligentes,

tudo se trata de uma colaboração muito profunda entre eu na minha casa e a empresa de fornecimento de energia, que fará alguma análise sofisticada para fazer com que seja fácil eu economizar energia.

Ou se pensarmos em cidades, sabe, qual é a melhor forma de se deslocar? Qual é a hora certa para usar eletricidade?

Como colaboramos em qualquer tipo de recurso? Será necessário essa plataforma que faça com que seja simples e fácil para eu fazer essas coisas.

Porque quando tenho que fazer tudo sozinha, é difícil demais e complicado demais, e não consigo fazer. Então, Peers Inc está dando uma boa colaboração

que está fazendo com que coisas complicadas e caras sejam fáceis, e coloca o poder no indivíduo. Você disse na sua palestra que a economia colaborativa pode fazer alguns milagres,

até desafia algumas leis da física. Como? Certo. Então, penso nesse novo paradigma organizacional como tendo 3 milagres; há 3 características miraculosas:

Uma é que essas empresas podem ter crescimento exponencial. E têm crescimento exponencial porque a plataforma, que é muito difícil de fazer, atrai todos os recursos que estão ao redor dela.

Todas essas pessoas estão co-investindo, então não têm que construí-la fisicamente. Ou encontrá-la fisicamente. Então, se pensarmos no Airbnb, que agora tem um milhão de lugares para se ficar no mundo,

fez isso em 5 ou 6 anos. Enquanto que se um hotel tivesse que construir esses recursos, nunca conseguiria o fazer nesse tempo. O milagre número 2 é que por estarmos construindo uma plataforma para participação

podemos ter aprendizado exponencial. E aprender se trata do quão rapidamente, quantas vezes pode fazer algo. E as plataformas conseguem atrair centenas de milhares de transações.

E a plataforma faz a análise profunda que diz: "Essa é a forma inteligente de fazer isso. Faremos você fazer da forma inteligente. E essa é uma forma burra de fazer isso, pare de fazer assim."

Mas todos nós como indivíduos não vemos esse número de transações. Então não podemos nunca ter esse aprendizado. Então, isso requer a plataforma.

E a terceira coisa que é muito miraculosa é o que chamo de: "A pessoa certa aparecerá." E se pensarmos no Yelp, que todos conhecem: Por que minha loja de ferramentas de esquina

ou meu restaurante de esquina é avaliado? Porque há pessoas por toda parte que agora estão participando. Ou se pensarmos no Waze, o sistema de navegação,

como é possível que saiba qual é o trânsito bem aqui agora para mim pessoalmente? Porque a pessoa do meu lado já está lá e está me contando o caminho certo. Então, a plataforma agrega nossos esforços. E então,

através de análise, acho que puxa a agulha para fora do palheiro. Diz: "Agora precisa dessa coisa." Então, esses 3 milagres: Crescimento exponencial, aprendizado exponencial,

e a pessoa certa estar ali no momento certo só podem acontecer com essa colaboração da plataforma e dos participantes.

Qualquer um dos dois não pode realizar isso. Certo. E a Internet das coisas que se movem? Pode explicar um pouco?

Certo. Então, é uma empresa que co-fundei que é uma empresa portuguesa e americana, que se chama Veniam. E Veniam está construindo uma rede de comunicação dinâmica

em cima de carros. Então, se pensarmos em comunicação hoje, as torres de celular são fixas. E alguns de nós estamos em movimento. Mas no futuro, teremos a rede em si se movendo no espaço e mudando.

Então, às vezes estará no celular, às vezes no wi-fi, às vezes de veículo para veículo.

E a Internet das coisas tem sido algo que queríamos que acontecesse há muito tempo. Ficava falando: "A Internet das coisas acontecerá." Mas a razão pela qual nunca aconteceu é porque todos esses sensores

não estavam...Os dados não estavam indo para lugar algum. Precisamos que esses dados entrem na Internet para serem analisados. Então, Veniam está colocando uma caixa em carros, veículos.

E agora está tendo muitos tipos de redes diferentes se conectando. É de custo muito baixo, muito barato. E enquanto esses veículos se deslocam pela cidade,

coletam todos esses dados de sensores e os colocam na Internet. Então, Veniam será o construtor da Internet sem fio. Está coletando todas as redes pequenas e todos os dados, e os enviando.

Então, estou muito empolgada com isso. E eis-me aqui no Brasil. Meu co-fundador é Português. E amo quando provoco:

"Pode falar essa frase em Português de Portugal e em Português Brasileiro?" E o Português Brasileiro é tão bonito, feliz e amigável. E o Português de Portugal: Somos pessoas de negócios.

Então, coloca os dois juntos e é muito... É algo encantador. -E como rentabiliza essas... -Essas plataformas? Plataformas... Quero dizer o Veniam?

Veniam? Então, temos 2 mercados separados agora. Um é cidades inteligentes. E um é em portos. E em ambos os casos, estamos cobrando por caixa no carro ou no ônibus,

e então uma mensalidade para manter. Então, agora em portos, temos a maior rede de veículos conectados do mundo, que são 650 veículos.

E todo ônibus público nos portos tem uma caixa. E todos os passageiros estão usando a Internet de graça. E como isso é possível, e por que a empresa de ônibus está interessada?

É possível porque ao invés de todos os dados dos passageiros irem para uma torre de celular, o que é muito caro, 70% dos dados estão sendo enviados para wi-fi, o que é muito barato.

E está sendo enviado dessa forma talvez através do ônibus na frente e então para wi-fi, ou talvez diretamente por wi-fi.

E para os ônibus há muitas coisas interessantes que querem que aconteçam. Têm agora muitas conexões sem fio acontecendo pelo ônibus. E o que acontece agora é que vão para o estacionamento deles

e então têm que subir todos os seus dados. E isso leva muito tempo e há muitos ônibus. Com Veniam, podem enviar esses dados em tempo real quando querem. Então, os ônibus conseguem enviar dados quase em tempo real para sua análise e rede.

Se houver um problema, podem todos vê-lo em tempo real.

E é, como disse, a conexão sem fio mais confiável e barata que é possível. Porque alcança... Se pensar em acessos wi-fi, Veniam está estendendo o alcance deles 10 vezes.

Então, consegue obter uma distância muito maior e usar wi-fi com muito mais frequência. E qual é o futuro do transporte?

Então, o futuro do transporte...

Há várias coisas. Uma é que o futuro do transporte é definitivamente não só carros. Viveremos em cidades e estaremos caminhando, andando de bicicleta, usando transporte público, e às vezes carros.

E toda vez que sair, para todos os trajetos, estará escolhendo qual forma é a mais rápida, mais inteligente, mais barata; a melhor para você naquele momento: "Estou com meus 3 filhos?"

"Tenho uma perna quebrada?" "Estou com meu chefe? Estou sozinha?" Então, agora com carros, é sempre a mesma coisa. Se saio, entro no carro.

Então, o futuro será múltiplos modos.

E então, quando pensamos na parte do carro desse modo,

veículos autônomos, carros que se dirigem estão chegando muito rápido. E acho que isso acontecerá em 5 a 10 anos. E esses carros autônomos, se eu puder escolher,

e se pensarmos no que é melhor para as cidades, e no que é mais barato para as pessoas e mais econômico, teremos trajetos compartilhados dentro de carros compartilhados.

E quando isso acontecer, só precisaremos de 10% dos carros nas ruas. Então, imagine São Paulo agora. E agora pense em só 10% dos carros. E por que isso é possível?

Porque agora 80% dos carros em São Paulo, carros grandes, têm uma pessoa. E então, conseguiremos ter tudo o que queríamos, que é ir daqui para lá com o preço de um transporte público

e com a velocidade de um carro. Então, será um futuro muito bom. Se assegurarmos que esses veículos sejam compartilhados. De outra forma, só teremos carros autônomos com uma pessoa.

E será a mesma coisa. Mas isso não quer dizer que não teremos categorias diferentes. Então, se quiser pagar muito dinheiro, pode comprar o carro todo.

E pode alugar o carro todo para o seu trajeto. E se quiser pagar mais dinheiro extra, será um muito sofisticado, preto, elegante, com champanhe que poderá conseguir. Mas será capaz de escolher

o que quer muito rapidamente. E então, se quiser só comprar um assento, só compra um assento pelo preço de um transporte público. E se quiser ir com toda sua família, pegue o carro todo.

E se quiser ser o chefe, e viver com luxo, pegue um sofisticado. Mas isso realmente transformará cidades. -Estou realmente aguardando isso. -Eu também.

Espero que sim. -Muito obrigada. -De nada.