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Esse livro é sobre um pouco da sua vida e o projeto da Endeavor, certo? E o que te motivou a escrever o livro? Bem, eu co-fundei a Endeavor agora há 19 anos.

E quando tivemos essa ideia de criar uma organização que apoiaria empreendedores de alto impacto em mercados emergentes, começando na América Latina,

todos disseram que éramos loucos.

E por aproximadamente uma década eu fui conhecida como 'la chica louca'. E de fato, quando a Endeavor expandiu para o Oriente Médio e Ásia, ainda fui chamada de 'la chica louca' lá.

-E eu... -Em outros idiomas? Não! Em espanhol! Eu sou 'la chica louca'. Ou em Português, sou 'la chica louca'; seja onde for.

E eu decidi que tinha que abraçar. E de fato, provamos que todos estavam certos. Há empreendedores de alto impacto em lugares como o Brasil,

e em 25 países onde a Endeavor agora está. Então, isso se tornou meu lema; louca é um elogio. E eu continuava falando para os empreendedores da Endeavor:

"Se não está sendo chamado de louco, então talvez não esteja pensando grande o suficiente." Mas o meu ímpeto para escrever o livro 'Louco é Elogio'

foi que comecei a receber ligações de pessoas dentro de empresas. Diziam: "Precisamos pensar como um empreendedor também, ou nosso emprego estará em perigo. Pode nos ajudar a obter essa mentalidade?"

Ou estava vendo pais na escola da minha filha que estavam dizendo: "Acabo de perder meu emprego. Mas estou pensando em começar aquela ideia que sempre tive." E então, decidi que o empreendedorismo

não é mais só para empreendedores. E queria tentar engarrafar as lições e as compartilhar com outros. E que tipos de lições trouxe aos líderes,

ou às pessoas que querem ser empreendedoras? Bem, acho que a primeira lição é que tem que dar a si mesmo permissão

para seguir em frente com a sua ideia louca. Até se for só um projeto dentro da sua empresa. Tantas pessoas, especialmente pessoas em posições de gerência média e sênior

ficam apavoradas. Acham que perderão seu emprego, ou seu orçamento se assumirem qualquer risco. E hoje, acho que o risco maior é não assumir nenhum risco.

Porque então será deixado para trás.

E então, primeiramente é só mostrar às pessoas que na verdade o empreendedorismo é uma mentalidade. E há tantas ideias acho que não fracassam no mercado.

Não fracassam na sala de conferência. Fracassam no chuveiro! Onde as pessoas as têm, saem e dizem: "Nunca poderia fazer isso!" Então, essa é a primeira lição. Podemos falar sobre outras.

Mas acho que o mais importante se trata de dar a si mesmo permissão. E com essa crença, até se outros o chamarem de louco, você sabe que sua ideia na verdade não é louca.

Na verdade, o segredo é que os melhores empreendedores são minimizadores de risco, não maximizadores de risco. É só que as outras pessoas têm medo de qualquer coisa nova.

E quando veio à América Latina pela primeira vez, o que atraiu sua atenção? O que viu aqui que começou todo esse movimento? Bem, então; cresci perto de Boston em um lar muito tradicional.

E fui para Harvard para faculdade e para Yale para faculdade de direito. Era para eu então, sabe, casar, e ter a carreira de direito, nessa ordem. E simplesmente, sabe, seguir em frente com minha vida tradicional.

E não ser uma louca. Sim, e disse: "Oh, eu faço faculdade de direito e não tenho nenhum interesse em praticar! Ajuda!"

E professores na Yale tiveram pena de mim e me mandaram para Argentina e Chile para trabalhar em alguns projetos. E acabei trabalhando para Ashoka.

E me apaixonei pela América Latina. Fiz aulas de tango, fui a jogos de futebol brasileiro, sabe?

Tomei minha primeira caipirinha; quer dizer, quem não ficaria? Mas também comecei a perceber que jovens não estavam começando negócios. E agora, isso foi no meio dos anos 90,

quando lá nos EUA, todos estavam falando do Yahoo, Netscape, e do Steve Jobs voltando para Apple.

E aqui, todos estavam falando de empregos no governo. E eu fiquei tão confusa. E meu momento revelador na verdade veio quando estava viajando

ao redor de todo o continente Sul e também pelo México. Quando estava em Buenos Aires, estava em um táxi e meu motorista me disse que tinha um diploma de engenharia.

E eu disse: "O que está fazendo dirigindo um táxi? E por que não está sendo um empreendedor?" E não conseguia pensar na palavra em espanhol.

E conversamos e percebemos que enquanto havia a palavra 'empresário', que parece ser um grande homem de negócios com conexões no governo e contas de banco na Suíça; não havia uma palavra para empreendedor.

E disse: "Não é à toa que ninguém está começando um novo negócio. Não há sequer uma palavra para descrever essa atividade." E esse foi realmente meu ímpeto para voltar e ajudar esses inovadores de negócios

que precisavam ir do começo para expansão, e precisavam de alguém ou de um grupo de pessoas que acreditasse neles. E ontem, estava com a rede Endeavor,

e a Marilia Rocca, nossa diretora de gestão inicial no Brasil, me lembrou que nosso advogado aqui no Brasil, Paulo Cezar Aragão, em 1999, quando estávamos criando o regulamento para Endeavor Brasil,

disse que não podíamos dizer que éramos uma organização promovendo o empreendedorismo porque não havia a palavra. Tivemos que dizer que estávamos promovendo o desenvolvimento econômico.

E 4 anos depois, recebemos uma ligação dos editores do dicionário Português Brasileiro dizendo que estavam adicionando a palavra 'empreendedorismo'

e 'empreendedor' para o vocabulário. Então, hoje as pessoas podem ser um empreendedor. Porque você inventou.

Nós ajudamos a popularizar. Não fomos os únicos. Mas acho que mostramos exemplos. Dissemos: "Por que não se pode ser um inovador que não vem de uma família com recursos existentes, ou com os contatos existentes?

Mas é alguém que não é só um sonhador, mas é alguém que faz. E pode executar essa ideia. Vamos encontrar essas pessoas por todo o mundo. E vamos ajudá-las a voar."

E o que acha que mudou desde quando começou aqui até agora? Acho que, primeiramente, começamos a mostrar sucessos. Então, por exemplo, na Argentina, encontramos esse garoto chamado Wences Casares,

que cresceu em uma fazenda de ovelhas na Patagônia. E tinha essa ideia para um eTrade na América Latina. E 34 investidores o rejeitaram.

Bem, selecionamos Wences, o ajudamos a levantar capital, o ajudamos a encontrar um diretor de operações. Ele acabou se casando com minha assistente, obteve o serviço completo da Endeavor.

E 18 meses depois, vendeu a Patagon.com para o Banco Santander por US$750 milhões. No dia seguinte, recebi ligações da maioria daqueles 34 investidores dizendo: "Tem alguns outros garotos loucos com ideias?"

E o mesmo tem ocorrido no Oriente Médio, no Brasil. Então, acho que agora o que estamos vendo também é que muitos dos empreendedores da Endeavor e outros empreendedores de sucesso

estão se tornando os mentores, os modelos, os investidores anjo. Então, estamos na verdade agora mapeando no nosso grupo de pesquisa, a Endeavor Insight,

o papel que empreendedores têm em fomentar um ecossistema empreendedor. E só são necessárias algumas histórias de sucesso para começar o efeito.

Ótimo. E que tipos de empresas a Endeavor ajuda? Então, a Endeavor hoje opera em 25 países, 50 cidades por todo o mundo.

E além dos mercados emergentes, estamos agora na Europa. E de fato, levamos nossas ideias do Sul para o Norte. Estava dando tão certo no Brasil, Egito e África do Sul

que acabamos inaugurando a Endeavor em Miami, Detroit e Louisville também. Porque nosso nicho é: Achamos que há tantas pessoas que focam em startups,

mas muito poucas pessoas focam em expansão. E quer seja uma empresa de tecnologia que começa grande, mas então chega a um ponto de inflexão, e agora precisa de um apoio diferente;

ou quer seja um negócio de família onde a próxima geração está assumindo; ou quer tenha uma ideia de produção ou varejo que pode realmente mudar vidas, criar muitos empregos, ser inovadora;

ninguém está realmente apoiando as expansões. Então, sempre dissemos que apostamos no empreendedor, não na indústria. Então, enquanto que muitas das nossas empresas são de tecnologia,

muitas não são. Porque queremos encontrar esses indivíduos que têm a capacidade de pegar uma ideia e transformá-la em algo grande. E achamos que é naquela fase de expansão onde tem-se um pouco de tração.

Mas é quando as melhores empresas têm aquele ponto de inflexão e podem crescer. A maioria das empresas fracassa depois de 48 meses. Então, se não encontrá-las naquele momento, elas meio que ficam estagnadas.

Então, essa é a aposta da Endeavor. Mas se trata muito menos de... Trabalhamos com empresas em todos os setores, de todo tamanho. Desde empresas que têm só US$100 mil em receitas

até as que têm mais de US$20 milhões em receitas; mas que podem ser empresas de bilhões de dólares. Então, realmente buscamos aquele ponto de inflexão,

aquele momento de expansão.

E o que acha das mulheres? Acha que podem fazer uma diferença nesse mundo? Então, a Endeavor acabou de honrar a Diane von Fürstenberg, a estilista

na semana passada no baile da Endeavor. E criamos um vídeo de homenagem contando a história dos empreendedores da Endeavor. E o que dissemos foi que em 2000 houve 3 mulheres

entre os empreendedores de alto impacto na nossa rede. -3? -3. Hoje há mais que 300. Então, mais que 300 dos 1200 empreendedores que a Endeavor avalia de 45000

são mulheres comandando negócios de alto impacto. Como a Leila Velez com sua cunhada Zica, que criou a Beleza Natural

de uma ideia que era um salão e agora atendem mais de 100 mil mulheres por mês. Empregam mais de 4 mil funcionários. E estão gerando algo perto de US$150 milhões em receitas.

É uma história incrível. Também temos uma engenheira libanesa que criou os primeiros óculos de nadar inteligentes.

Podem dar a nadadores retorno em tempo real a respeito de seus batimentos cardíacos, e outras métricas. Temos uma mulher na Espanha que está criando a busca Google para imagens.

Então, o que é tão empolgante é que estamos começando a ver mulheres com ideias realmente grandes, como fundadoras e co-fundadoras. E acho que quanto mais contarmos suas histórias, mais as jovens dirão:

"Ei, ela pôde fazer, eu posso também!" Acho que um dos problemas que temos nos EUA é que continuamos a contar as histórias dos garotos de moletom.

Então, todos pensam: "Se não sou o Mark Zuckerberg ou Elon Musk,

não posso ser um empreendedor." Acho que parte do papel da Endeavor é contar histórias diferentes para inspirar a todos que podem fazê-lo também.

E acha que essas empresas que já tinham expandido estão agindo de forma diferente? Com seus funcionários, com o mercado?

As inteligentes estão. Acho que as inteligentes... Olhe, na Endeavor temos um grupo dos maiores líderes de negócios, que são embaixadores da Endeavor. Estão passando muito tempo

orientando nossos empreendedores. E por um lado, é incrivelmente generoso da parte deles dar seu tempo e seu conhecimento

para as nossas empresas que crescem rápido, mas que ainda são jovens. Mas eles são inteligentes também. Porque acho que percebem que isso os inspira novamente.

E as melhores empresas... Olhe o que está acontecendo com a GE nos EUA. Estão assegurando que seus funcionários estejam cercados de empreendedores. Porque sabem que se não criarem alguma perturbação em suas empresas,

então os empreendedores comerão seus almoços de qualquer forma. E então, sim; acho que há mudanças acontecendo. E acho que, para ser honesta, as empresas que anseiam por estabilidade:

O mundo não é mais estável. Então, amo as empresas brasileiras. Acho que as pessoas mais resilientes são as que avançarão. Então, eu apostaria alto nos brasileiros a longo prazo.

Ótimo. Obrigada, muito obrigada. Obrigada! Mal posso esperar para ler! Essa é a primeira vez que vi a versão em Português.

"O empreendedor é louco."