Ele começou a trabalhar na fabricante de bebidas Schincariol, em Itu, interior paulista, quando a família controladora decidiu profissionalizar sua gestão. Fernando Terni assumiu a presidência, em 2006, para reverter uma crise. Haviam se somado a morte inesperada do líder da empresa, a inexperiência de seu herdeiro para assumir o cargo e acusações de sonegação de impostos. Gino Di Domenico chegou como diretor industrial, apoiado em uma vasta experiência em gestão de cadeia de fornecimento na Unilever, e, em seis meses, assumia toda a vice-presidência de operações, incluindo, além da própria diretoria industrial, a área de suprimentos, as fábricas, planejamento e logística, engenharia e parte de pesquisa e desenvolvimento de produtos. Em 2009, o herdeiro Adriano Schincariol e sua família retomaram a gestão, houve uma grande reestruturação, mas Di Domenico foi mantido no cargo –o “último moicano” da equipe de Terni, como ele mesmo brinca.

Em novembro de 2011, a gigante Kirin, fabricante de bebidas e alimentos de origem japonesa e sexta maior do mundo, comprou a Schincariol. Após uma governança de transição que durou 90 dias e, entre outras coisas, afastou os vários membros da família Schincariol, a Kirin escolheu Di Domenico como o novo CEO da empresa, em janeiro de 2012. No final do ano, Di Domenico começou a mostrar a que veio, com o rebatismo da companhia de R$ 6 bilhões e 10 mil funcionários como Brasil Kirin. Em entrevista exclusiva a José Salibi Neto, ele faz questão de reconhecer os pontos positivos da gestão anterior –a empresa orgulha-se de ser a única brasileira a ganhar um dos prêmios mais cobiçados em gestão de estratégia, o Palladium Balanced Scorecard Hall of Fame for Executing Strategy, pelo bom uso dessa ferramenta–, repassa os bastidores dessa mudança e promete muitas mais.

Para começar: você sobreviveu a duas trocas de governança e “surfou” em ambas. Qual é seu segredo? [risos]