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Meu objetivo é encontrar pessoas que queiram mudar o mundo e que digam “podemos criar um mundo melhor”. E minha mensagem para você é que não existe nada

que você não seja capaz de fazer. Vivemos em um mundo com acesso a mais capital do que nunca. Em 2017, tivemos mais capital de risco, crowdfunding, ICOs

e capital semente do que jamais tivemos na história da humanidade. Todos nós temos acesso às informações

do mundo no Google e no Baidu. Conseguimos processar mais poder computacional na nuvem do que os líderes das nações conseguiriam há 20 anos.

A questão é: o que você quer fazer com essa abundância de conhecimento, informação, poder computacional e capital que nós temos?

É realmente uma questão de olhar para dentro de si mesmo e encontrar um propósito com enorme poder de transformação.

Aquele propósito que vai fazer você acordar de manhã e continuar firme à noite. Quero dizer que você pode deixar a sua marca no universo.

Você pode encontrar um problema e resolver um problema. E quanto mais empreendedores fizerem isso, mais o mundo vai melhorar em ritmo exponencial.

Olá, Peter. É um prazer estar aqui. Nesses três anos aqui na HSM, tenho ouvido seu nome,

e as pessoas dizem que você é um cara otimista, que não lê notícias ruins, só lê as boas... Você poderia falar a respeito?

É verdade que você faz isso? Com certeza. No fim das contas, nós, como seres humanos,

evoluímos centenas de milhares de anos atrás. E, quando estávamos evoluindo na África, se alguém perdesse uma boa notícia, era uma pena,

mas se perdesse uma notícia ruim, podia morrer. Então nós desenvolvemos uma parte antiga de nosso cérebro chamada de amígdala, que vasculha tudo o que você

vê e ouve em busca primeiro de notícias ruins. E se vemos uma notícia negativa, ela nos deixa em estado de alerta.

Costumamos dizer que “se tem sangue, é manchete”, o que significa que prestamos dez vezes mais atenção em notícias negativas do que em positivas.

Então, quando você abre o jornal de manhã ou quando está assistindo ao jornal na TV, é provável que 90% das notícias sejam negativas.

Não que elas não sejam verdade, mas não são a única coisa que está acontecendo no mundo. O negócio da imprensa é vender

os seus olhos para os anunciantes. E o que vende é notícia negativa. Mas quando analisamos os dados, vemos que temos vivido

em um mundo de tremendo progresso nos últimos cem anos. A renda de todas as nações no planeta mais que triplicou.

A longevidade do ser humano mais que duplicou. O custo dos alimentos está 30 vezes menor.

O custo dos transportes é 50 vezes menor. Os meios de comunicação e informação se multiplicaram por milhões de vezes.

Estamos vivendo em um mundo extraordinário. Por isso, dedico grande parte do meu tempo a ajudar as pessoas a enxergar o mundo em que vivemos.

E a enxergar o fato de que, hoje, a média de vida de uma pessoa é de 80 anos ou mais, sendo que, cem anos atrás, a maioria dos homens não passaria dos 40.

Então muita coisa mudou, nós só não estamos prestando tanta atenção em todas as boas notícias quanto estamos prestando nas notícias negativas.

Uma das coisas que as tecnologias exponenciais ajudam a melhorar é a educação. Acho que, se eu estivesse na época de provas para

para entrar na universidade, seria muito mais fácil, porque hoje temos celulares, iPads e a própria internet. Mas essas coisas, além de ajudarem as pessoas a estudar,

também são uma distração para os estudantes e as crianças. Como a tecnologia pode ajudar no processo de aprendizado,

não só das crianças e jovens, mas também dos adultos? Nós esquecemos como nosso mundo mudou por conta da conexão digital.

Quer dizer, esta conversa mesmo, que estamos tendo aqui, no HSM Digital, só é possível por causa dessa tecnologia.

E se você quiser uma informação, pode procurar no Google e descobrir instantaneamente.

Se você quiser aprender um assunto, pode assistir a um vídeo no YouTube ou a algum conteúdo no HSM e obter a informação de que precisa.

Isso nunca foi possível antes. E, além de tudo, a maior parte da informação que você quer é gratuita.

Antigamente, você precisava ir a uma biblioteca e ver se tinham um livro sobre o assunto. O modo como aprendemos está muito mais rápido,

muito mais eficiente. Você consegue achar o conteúdo perfeito para aprender o que deseja saber.

Eu tenho dois filhos de 7 anos e me preocupo que eles estejam viciados em seus iPads. Nós não os deixamos usar os iPads durante a semana, mas,

nos fins de semana, eles podem jogar, assistir a vídeos no YouTube, e há uma questão... Digo, existe um lado bom e ruim em toda tecnologia.

Mas, olhando para eles, sinto que sabem muito mais do que eu na mesma idade. Talvez todos os pais sempre se sintam

desse jeito o tempo todo. Mas é extraordinário que tenhamos acesso a qualquer informação,

qualquer conteúdo educacional que quisermos. Vou mencionar só mais uma coisa: eu dirijo uma organização chamada XPRIZE Foundation e nós promovemos

grandes competições em escala mundial. Estamos fazendo uma competição agora chamada “The Global Learning XPRIZE”.

É uma competição de US$ 15 milhões, financiada pelo Elon Musk, que nasceu na África do Sul.

Ele financiou uma competição em que estamos pedindo a equipes no mundo todo que desenvolvam um software capaz de pegar uma criança no meio do nada

– neste caso, na Tanzânia –, em uma vila sem escolas, sem adultos alfabetizados, e tirar essa criança, sozinha,

do analfabetismo e fazê-la adquirir conhecimentos básicos de leitura e escrita e noções básicas de matemática no prazo de 18 meses.

Portanto, há uma capacidade de escalar a educação globalmente. Acredito que, no fim, os melhores professores do mundo

serão inteligências artificiais que sabem a cor, o artista de cinema e o esporte favorito dos seus filhos. Que têm conhecimento do que seus filhos sabem ou não

e dão a eles uma educação personalizada que você jamais conseguiria comprar. É um futuro em que a educação ficará mais forte,

mais personalizada e mais poderosa. É verdade que esses dispositivos também viciam. Não há dúvida.

Sou viciado no meu telefone, fico nele o tempo todo, respondendo a mensagens de tarefas, a e-mails... Há duas partes em nossas vidas...

Nós precisamos conseguir olhar as pessoas nos olhos e nos conectar e conversar com elas.

Essas são habilidades humanas fundamentais que as crianças precisam aprender e, se o seu filho está usando um dispositivo digital o tempo todo, isso vai ser um desafio.

Por outro lado, nós estamos vivendo em um mundo digital, em que passaremos cada vez mais tempo conectados. Em algum ponto, estaremos usando óculos

de realidade virtual ou realidade aumentada. Vi projetos, em algumas das empresas em que penso em investir, de lentes de contato

de realidade aumentada, que fazem com que a pessoa receba dados o tempo todo enquanto olha para o mundo. Em algum momento, nos próximos 20 anos, com

os experimentos que estão sendo feitos agora para conectar seu cérebro à nuvem, de modo que você pense e saiba...

Literalmente, você vai poder buscar qualquer coisa no Google com o pensamento.

Portanto, muitas coisas vão mudar. Sim, o Isaac Asimov disse isso, ele previu algumas coisas,

acho que nos anos 60, sobre carros elétricos, a própria internet... Você está dizendo que poderemos conectar nossos cérebros

à internet ou algo parecido. Que poderemos transportar nossa consciência para corpos robóticos e todas essas coisas realmente fascinantes.

Acho muito estranho que estamos entrevistando você e falando sobre as coisas que leio em obras de ficção científica...

Quais você acha que são as grandes mudanças pelas quais o mundo passará no futuro próximo? Quando penso na próxima década, em termos de

como as coisas vão mudar, há diversos grandes elementos. O número um, para o qual estamos caminhando muito rápido,

são os veículos elétricos autônomos. Dirigindo em São Paulo, posso dizer que nenhuma cidade precisa tanto de carros elétricos autônomos

como São Paulo, certo? Estamos vendo todas as maiores fabricantes de automóveis do planeta investindo pesado nesse tipo de tecnologia.

O que significa que teremos carros que se movimentam de modo mais eficiente nas ruas, e você poderá ficar no banco de trás, lendo, meditando, jogando videogame,

dormindo, fazendo qualquer coisa, e não no banco do motorista dirigindo duas horas todo dia. Assim, você vai ter de volta duas horas do seu dia.

O que mais está acontecendo... Estamos prestes a conectar todos os seres humanos do planeta.

Em 2017, 3,8 bilhões de pessoas estavam conectadas digitalmente pela internet. Até 2024, mais ou menos nos próximos seis anos,

devemos conectar todas os seres humanos. Oito bilhões de pessoas estarão conectadas. O que significa que mais 4 milhões de mentes estarão online

Elas serão conectadas por redes 5G, por balões na parte superior da atmosfera, por várias constelações de satélites.

E esses indivíduos, seja ao redor do Brasil, da África, da Ásia ou qualquer outro lugar, estarão conectados a 100 megabits, a velocidades de conexão de gigabits.

Começaremos a ver o mundo virtual e o mundo da realidade aumentada ganhar vida como nunca antes. Todos vocês terão óculos ou lentes de realidade aumentada,

o mundo vai ganhar vida e vocês verão informações em toda a parte. Quando você olhar para uma pessoa, verá seu nome,

a data de nascimento, se a pessoa tem família... Você saberá mais sobre as pessoas do que jamais imaginou ser possível.

Essas são apenas algumas coisas. Caminhamos para uma economia totalmente elétrica. Hoje, o custo da energia solar no México e em Abu Dhabi,

para dar dois exemplos, é metade do custo da energia de carvão mineral nos EUA. Em algum ponto, isso vai ficar muito barato, porque somos

banhados por 8 mil vezes mais energia do Sol do que nós, como espécie, consumimos em um ano. Então, estamos vendo todas essas mudanças ocorrendo,

que, para mim, vão tornar o mundo um lugar de mais abundância e, no final das contas, transformarão o mundo em um lugar mais seguro também.

Mas quem pode fazer essas mudanças acontecerem? As empresas, o governo, as pessoas, os bilionários? Quem você acha que são os principais personagens

dessas mudanças? Quando penso em quem está impulsionando grande parte dessa mudança, parte são os laboratórios do governo,

mas eles não são mais os principais agentes. Parte é feita pelas grandes corporações, mas, de novo, elas não são os principais agentes.

A maior parte das mudanças disruptivas drásticas que tenho visto está vindo de empresas empreendedoras experimentalistas lideradas por fundadores e guiadas por dados.

Podemos pensar em empresas como Google, Amazon, Tesla, Uber, que estão transformando mais e mais setores.

E a verdade é que, para haver uma mudança realmente drástica, para haver algo que não seja o mesmo de sempre ou só um pouco melhor...

Diria que, antes de algo ser uma grande inovação, será uma ideia maluca. E grandes empresas e governos não investem em ideias malucas,

porque a probabilidade de elas fracassarem é muito alta. E grandes empresas e governos não gostam de fracassos públicos.

Então é o empreendedor, a pessoa que tem muito pouco a perder, que vai testar uma ideia atrás da outra e, se uma em cem delas funcionar, está ótimo, será uma inovação.

Por que as redes de hotéis não criaram o Airbnb? Por que as grandes empresas de táxi ou as companhias automotivas não criaram o Uber,

a Lyft ou a 99? Porque essas são ideias malucas, que não seguem o pensamento tradicional.

Então, para mim, muitas dessas mudanças estão vindo das mentes dos empreendedores que estão dispostos a tentar

ideias malucas, de indivíduos ricos que têm capital para financiá-las. Temos o Jeff Bezos com a Blue Origin, sua empresa aeroespacial,

e o Elon Musk com a SpaceX também. Não são os grandes governos do mundo

que estão fazendo isso, são os empreendedores. Bom, qual seria a sociedade ideal na sua concepção? Essa é uma pergunta bastante abrangente,

do que seria uma sociedade ideal... Acho que uma sociedade ideal é aquela em que as pessoas têm a chance de ser felizes e realizadas.

A questão, então, é como gastamos nosso tempo. Precisamos colocar as coisas em perspectiva. Há 500 anos, há 100 anos até, a maioria das pessoas

passava o tempo sobrevivendo. Tentando conseguir alimento, ganhar um sustento básico, conseguir roupas para a família...

O mundo era um lugar muito difícil de se viver. Em comparação, hoje nós temos acesso a toda a informação, a todo o entretenimento que quisermos.

Podemos estudar com programas como este, temos acesso a meios de comunicação cada vez mais baratos, a cada vez mais fontes de energia,

a serviços de saúde cada vez melhores. Sim, ainda há muito para melhorar. Mas quando olho para onde os dados apontam,

vejo que caminhamos para um mundo de abundância, no qual – e acho que não está longe, serão 20-30 anos no máximo – vamos atender às necessidades

de todo homem, mulher e criança deste planeta. E, para mim, não é questão de criar um mundo de luxo para todo mundo, mas um mundo de potencial,

no qual uma mãe sabe, quando seu filho nasce, que aquela aquela criança tem acesso a todo a saúde e educação

de que precisa, e que vai poder viver uma vida que vai apreciar e amar. Obrigado, muito obrigado.