Nenhum homem toma banho no mesmo rio duas vezes, pois, quando volta, nem o homem é o mesmo, nem o rio é o mesmo.” Heráclito de Éfeso o disse por volta do ano 500 a.C., mas um consultor especializado em gestão de mudança empresarial poderia tê-lo enunciado facilmente também, ainda que talvez com outra escolha de palavras. “É desnecessário fazer com mais o que se pode fazer com menos.” Essa foi o filósofo Guilherme de Ockham, em Oxford, que formulou, na Idade Média, embora um especialista da McKinsey & Co. assinasse tranquilamente embaixo.

Para os executivos que acham filosofia uma teoria que vem de outra galáxia, tais frases podem ser surpresa, mas os filósofos influenciam a gestão de empresas há muito tempo, ainda que indiretamente. No País, o filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella, professor titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, ex-secretário de Educação paulistano e autor de mais de dez livros que são referência no assunto, é um dos que vêm se interessando em estudá-las. Em seu escritório em Higienópolis, São Paulo, que, não por acaso, tem o aconchego de uma casa, Cortella concedeu entrevista a Adriana Salles Gomes, editora-executiva de HSM Management, e o belo gato que se acomodou no colo da entrevistadora acompanhou a conversa, que mostrou: pensar contribui para produzir, assim como viver contribui para pensar.

Recentemente perguntamos a Rosa­beth Moss Kanter, de Harvard, se os gestores costumam pensar. Sabe qual a resposta dela? “Em geral, não.” Como filósofo, me diga: pensar faz falta?