Era uma vez Cinderela. Branca de Neve. Bela Adormecida. Barbie. As mocinhas dos filmes de Hollywood e das novelas da Globo. Personagens femininos que se destacavam pela beleza, pelo capricho e pelo relacionamento com o sexo oposto, mais do que pelo que pensavam e faziam, sempre foram o principal “role model” das meninas em nossa sociedade. Nas últimas décadas, heroínas mais combativas na ficção, cantoras de música pop-rock e outras celebridades na realidade vêm mudando esse imaginário no quesito da atitude. Mas, infelizmente, elas influenciam muito mais do que as tantas mulheres que trabalham e constroemvalor anonimamente dia após dia –como mostram as pesquisas do antropólogo Clotaire Rapaille (na página 8), nosso código cultural está ligado à imagem da mulher guerreira.

O problema da vida real é que dificilmente o trabalho tem o mesmo glamour dos mundos da ficção ou do show business. E se for um trabalho empreendedor, então, de conceber o novo, reunir pessoas em torno de sonhos, enfrentar desafetos e correr riscos dos mais diversos tipos, menos ainda, porque tudo isso é percebido como algo eminentemente masculino, pouco afeito a encantadoras princesas de contos de fadas. Ou... não.

A empresária Cristiana Arcangeli está em sua quinta aventura empreen­dedora. E, ao mesmo tempo, é uma mulher bela, celebridade da mídia, namora o também “midiático” empresário Álvaro Garnero e tem duas filhas. Dentista de formação, iniciou há 20 anos um verdadeiro movimento de negócios inovadores associando beleza e qualidade de vida. Assim, aproximou o mundo do trabalho e o feminino, sem que ela própria perdesse a feminilidade das princesas de contos de fadas.