Stuart Hart A julgar pelo que se viu na HSM ExpoManagement 2012, o vocabulário ativo da comunidade de negócios incorporou uma nova palavra: “salto”. Usada em inglês (“leap”) ou em português, refere-se ao fato de que os graves problemas da humanidade –e, por tabela, das empresas– precisam ser resolvidos não mais passo a passo, e sim com grandes pulos que garantam a sobrevivência da espécie humana, correspondendo, na mesma medida, aos pulos de piora de condições que a vêm ameaçando. Os números não deixam dúvida. Um estudo científico realizado pela equipe do biólogo sueco Johan Rockström mapeou nove serviços ambientais indispensáveis à existência do ser humano (um deles, por exemplo, é o ciclo de nitrogênio, elemento sem o qual o homem não sabe produzir alimento) e dois deles já tiveram seus limites violados –clima e biodiversidade–, enquanto outros se mostram bastante vulneráveis.

Stuart Hart deu como exemplo de player importante para a segunda geração de estratégias da base da pirâmide o Indian Institute for Sustainable Enterprise, instituição de ensino que visa formar a mentalidade empreendedora e inovadora; eles ajudam os moradores dos vilarejos da Índia a registrar patentes

Esse dado por si só deveria bastar para os gestores apreciadores de métricas se disporem a mudar o modelo econômico. No entanto, o argumento não tem sensibilizado empresas e governos na velocidade necessária, a começar pela frustração que se viu na realização da conferência Rio+20, no Brasil, em 2012, atribuída principalmente à falta de visão de conjunto. Para Aron Belinky, da ONG Vitae Civilis, o que atrasa as mudanças é a existência de apostas em direções contrárias ao que se deve fazer –ele citou os investimentos na extração do petróleo pré-sal. Quem melhor explicou o fenômeno foi o economista comportamental Dan Ariely, da Duke University, em uma das palestras mais elogiadas: “Quando as decisões a tomar são novas e/ou complicadas, o cérebro humano não sabe o que fazer e, portanto, não faz nada. O cérebro tende a ficar repetindo decisões já tomadas”.