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Minha mensagem para o mundo

é que nossas emoções são importantes. é que nossas emoções são importantes. Elas são importantes em como nos comunicamos

Elas são importantes em como nos comunicamos e como tomamos decisões.

E a inteligência artificial é o futuro, mas precisa ter emoções também. Acredito que esse é um futuro fascinante

e espero que todos façamos parte disso. Nós precisamos. Todos nós precisamos participar do

desenvolvimento e implantação desses sistemas. Então estou ansiosa para ver o que esses acontecimentos vão trazer.

E espero que haja muitas colaborações e parcerias.

.

–Olá, Rana.

–Oi, Tom. Prazer em conhecê-lo. –É um prazer conhecê-la também.

Obrigado por seu tempo aqui conosco. Em um mundo em que todos os tipos de dados

são coletados ,

as coisas que compramos, ugares que frequentamos e, agora, as emoções que sentimos qual você acha que é o impacto

desse trabalho, desses dados emocionais? –Minha missão de humanizar a tecnologia,

eu crio inteligências artificiais emocionais. Basicamente, são computadores que entendem os humanos, que entendem as emoções das pessoas.

E isso é muito importante para o que você mencionou, porque nós interagimos uns com os outros usando as emoções.

Nossas emoções influenciam todos os aspectos da nossa vida. Desde como tomamos pequenas decisões, como o que comer no café da manhã,

até grandes decisões, como com quem casar ou onde morar.

Mas a emoção não está na tecnologia e isso é um problema, porque interagimos com nossos dispositivos diariamente.

Meu objetivo é trazer as emoções de volta ao nosso mundo, porque elas são muito importantes.

–Qual você acha que é o melhor uso para esses dados?

–Acho que a tecnologia tem muitas aplicações.

A aplicação que mais me fascina

é na saúde mental.

Hoje em dia,

a saúde mental é verificada apenas perguntando diretamente às pessoas. Se você for ao consultório de um médico,

ele vai dizer: “Ok, em uma escala de 1 a 10, o quanto você está sofrendo?” ou “O quanto você está deprimido?”

ou “Você tem ideações suicidas?”. E nós sabemos que esses dados não são nem um pouco confiáveis. Às vezes, as pessoas não sabem ou não dizem a verdade.

Mas também sabemos que existem biomarcadores ou indicadores faciais e vocais de coisas como a depressão.

Meu objetivo é usar essa tecnologia para quantificar, de modo muito objetivo, coisas como distúrbios mentais. Outra área que é muito fascinante é a do autismo.

Na verdade, foi nele a primeira aplicação dessa tecnologia. Nós criamos algo parecido com um Google Glass com nossa tecnologia e demos para algumas crianças,

para ajudá-las a entender as emoções das outras pessoas. Hoje isso já foi distribuído a mais de 300 famílias e estamos vendo efeitos positivos.

Essas crianças estão fazendo mais contato visual e facial, o que é muito importante para um dia elas frequentarem a escola

e serem capazes de aprender, e também de conseguir empregos quando forem adultas. –Bem, acho que, quando vemos

essa tecnologia em funcionamento, uma coisa que me vem à cabeça são os desafios que vamos enfrentar.

Porque estamos falando de seres humanos. Portanto, estamos falando de pessoas que podem ser falsas.

Quero dizer, elas podem fingir uma emoção, do tipo... não sei... O que você acha desses desafios?

Como podemos enfrentá-los em algum cenário em que precisarão ser levados em consideração? –É uma ótima pergunta,

porque as emoções são muito complexas. E nós só expomos nossas emoções se nos sentirmos realmente à vontade, não é?

Nosso objetivo é fazer as pessoas sentirem-se à vontade e confiarem em nós como empresa

para compartilhar conosco esse tipo de dado, que é muito pessoal.

Fizemos muita pesquisa sobre qual seria a melhor forma de fazer isso e como incentivar as pessoas

a compartilhar esse tipo de dado. Às vezes, pagamos as pessoas. Em nossos trabalhos com propaganda

aliás, fazemos bastante trabalho no Brasil, em que testamos anúncios antes que sejam veiculados, nós pagamos às pessoas

para deixarem uma câmera ligada para que possamos medir todas as suas emoções.

Mas, às vezes, há outros valores envolvidos, como melhorar a segurança, os serviços de saúde... Realmente acho que seja importante

oferecer valor suficiente às pessoas para que fiquem à vontade para compartilhar esses dados pessoais.

–Em uma escala global, o que você vê essa tecnologia fazendo no mundo?

–Nós temos trabalhos em 87 países ao redor do mundo. Coletamos cerca de 4 bilhões de registros faciais com todos nossos parceiros.

São dados muito poderosos que nos permitem observar diferenças culturais. Posso dizer a vocês que o Brasil está entre os três países

mais expressivos, o que eu acho que não é uma surpresa. Mas nós vemos isso em nossos dados.

Acredito que, no futuro, essa vai ser a interface padrão entre máquinas e seres humanos.

Quando os computadores foram criados, foram chamados de “computadores” porque computavam

Faziam todas essas equações matemáticas e algumas tarefas administrativas. Mas, hoje, a tecnologia é a primeira coisa...

Bom, ao menos, para mim... Meu telefone é a primeira coisa que vejo de manhã e é a última coisa que vejo antes de dormir.

Então isso ficou muito imbricado em nossa vida cotidiana e eu realmente acredito que já está na hora

de a tecnologia interagir conosco em nossos termos, em nossa linguagem, não em sua linguagem. –Uau...

Há uma série que assisti há algum tempo, chamada “Engana-me se puder”, em que um cara lia as expressões das pessoas

e capturava criminosos. Mas não acho que este seja o seu objetivo, capturar criminosos com sua tecnologia.

Gostaria de saber sobre o legado que você está trazendo para o mundo e para os futuros designers emocionais.

–Mais uma vez, excelente pergunta.

Quando começamos a empresa, cerca de nove anos atrás, estávamos no MIT fazendo pesquisa e decidimos abrir a Affectiva.

Éramos apenas três, sentamos e dissemos: “Ok, quais são os limites?”. Porque essa tecnologia pode ser aplicada em tudo.

E a tecnologia é neutra, pode ser usada para o bem ou para o mal. A decisão cabe aos seres humanos que estão

desenvolvendo a tecnologia. E nós decidimos que só trabalharíamos em casos em que ela ajudaria as pessoas de algum jeito.

Isso significava que não faríamos nada relacionado a aplicações de segurança ou vigilância. Então nós não capturamos criminosos,

não fazemos detecção de mentiras. Ainda que, algumas vezes, tenha sido difícil...

Em 2011, estávamos levantando dinheiro para a empresa em dois meses, ficaríamos sem dinheiro

e uma agência de segurança nos procurou e queria colocar muito dinheiro na empresa, mas queriam que focássemos em segurança.

E nós dissemos “não”. O que, para uma startup pequena, é muito difícil de fazer.

Mas nós achamos que aquilo não estava alinhado aos nossos valores centrais. Sou uma grande defensora

do emprego da tecnologia de modo ético. Uma coisa que vi você falar

em vídeos na internet é que a riqueza dos seus sentimentos estava desaparecendo no ciberespaço. E que essa foi uma das coisas que a incentivou a criar

a Affectiva e o trabalho que você faz hoje. Quando você acha que isso começou a acontecer com as pessoas?

Isso que aconteceu com você, e que acho que seja comum a muitas pessoas, quando você acha que isso começou?

–Meu “estalo” veio quando... Eu cresci no Oriente Médio, sou de origem egípcia e tive a oportunidade de ir para

a Universidade de Cambridge para fazer meu doutorado em Ciência da Computação.

Eu cheguei lá e percebi que, meu Deus, eu estava o tempo todo com aquele aparelho! Isso foi no ano 2000, antes de termos celulares,

ou melhor, smartphones... Eu percebi que estava passando tanto tempo com aquele dispositivo que não tinha ideia

de como eu me sentia e, mais importante, ele era meu portal de comunicação com a minha família

E havia momentos em que eu estava literalmente aos prantos e tudo o que eu podia enviar era um emoji triste Aquilo parecia muito insuficiente

e parecia que todas as minhas emoções estavam desaparecendo no ciberespaço.

E isso na época em que não existiam smartphones. Acredito que agora o problema seja muito maior.

Muitos de nós nos comunicamos principalmente via plataformas de redes sociais.

Também acho que, quando estou cara a cara com você, não vou tratá-lo mal, não é? Provavelmente, vou ser muito mais gentil

do que se só estivesse enviando uma mensagem online.

Acho que isso está causando muita polarização entre as pessoas...

Vemos isso em nosso discurso político nos EUA. As pessoas são extremamente agressivas online.

Acredito seja porque ali não temos toda a riqueza de nossa comunicação não verbal. Então um dos nossos objetivos é resgatar isso

em nossas plataformas da internet. Obrigada. Obrigado, muito obrigado!