Por Adriana Salles Gomes

Os executivos brasileiros estão acompanhando atônitos a criação da joint-venture entre aquela que é considerada uma das mais inovadoras empresas brasileiras, a Embraer, e a gigante norte-americana Boeing. O que poucos se deram conta é que a capacidade de inovação da Embraer não tem a ver só com a tecnologia em si, na qual ela também investe, mas com a maneira como mudou o significado de voar. A empresa apoiou, em todo o mundo, a aviação regional, fazendo os consumidores encararem os voos de um modo novo: migraram de “Eu uso avião para viagens de longuíssimas distâncias” para “Eu uso avião para ir aonde ia antes de ônibus/trem”.

Em agosto, o especialista em inovação italiano Roberto Verganti lança seu livro Overcrowded – Desenvolvendo produtos com significado em um mundo repleto de ideias, em que diz faltar algo importante nas abordagens de novação praticadas na última década. Segundo ele as ideias estão aí aos montes e ninguém precisa que se tenha mais uma; necessitamos é de novos significados. “Não temos de melhorar como as coisas são e sim mudar a razão pela qual precisamos dessas coisas”, explica. Os vencedores da inovação serão aqueles que fizerem produtos e serviços mais significativos para os consumidores, e não melhores. E Verganti diz mais: o processo de ideação e de buscar insights de fora para dentro, tão em voga, é o oposto do que as empresas necessitam para inovar.