Se der 30 passos linearmente, você chega ao outro canto da sala. Se der 30 passos exponencialmente, vai parar na África. Essa é a melhor maneira de entender o crescimento exponencial –e não linear– da tecnologia e da economia previsto pelo futurista, empreendedor e inventor Ray Kurzweil, uma das mentes mais brilhantes e controversas da atualidade.

As empresas podem se preparar para esse ambiente de negócios futuro? Se sim, como? Em entrevista exclusiva a Adriana Salles Gomes, editora-executiva de HSM Management, Kurzweil prega que o timing, ao lado do autoconhecimento em relação ao próprio talento e paixão, são as melhores ferramentas para essa preparação. Além disso, indica alguns caminhos revolucionários e promissores, como o da impressão 3D, e avisa: não se deve focar tanto a sustentabilidade, cujas questões poderão ser resolvidas tecnologicamente, garante.

Curiosamente, a resistência a suas ideias vem se reduzindo –apesar de ele seguir afirmando que homem e máquina se fundirão por volta de 2045, criando uma espécie humana mais inteligente e longeva. A conservadora revista The Economist publicou um artigo sobre Kurzweil em que perguntava “ele é tão louco quanto parece?” e, além de concluir que não, outorgou-lhe seu Innovation Award, considerado o “Nobel da inovação”. Assim, embora o próprio Kurzweil tenha projetado uma grande reação ludista (contra a tecnologia) –com data indefinida–, ele não previu sua vitória e não é aconselhável que as empresas desprezem o cenário radical desenhado por ele.