Conforme mais empresas se conscientizam da importância do engajamento, a cobertura desse tema pela mídia tem sido mais ampla e mais informativa. No entanto, isso não é necessariamente bom.

A professora de Harvard Teresa Amabile e o pesquisador Steven Kramer compartilharam os resultados de um projeto no qual eles coletaram mais de 12 mil registros em diários de 238 colaboradores de sete empresas diferentes. Eles descobriram que durante aproximadamente um terço do tempo, os colaboradores estavam infelizes, desmotivados ou ambos - mas nos dias em que estavam felizes, eles tornavam-se mais aptos a ter novas ideias. [1]

Artigos como este apresentam um caso convincente e baseado em dados sobre a importância do engajamento e seu impacto no desempenho. Entretanto, eles também podem confundir as empresas que não entendem o conceito de engajamento. Quando estávamos mergulhados na pesquisa para o livro que lançamos mais recentemente, ENGAGEMENT MAGIC: Five Keys for Engaging People, Leaders, and Organizations, ficou claro que palavras e frases como felicidade e trabalhar duro geram confusão e alimentam conceitos equivocados para muitas pessoas sobre o que é engajamento e o que não é. Engajamento do colaborador tem a ver com ele sentir-se feliz? Ou simplesmente tem a ver com fazer seu trabalho? Não exatamente. 

Então, o que é o engajamento?

Ele tem a ver com uma pessoa usar seu coração, espírito, mãos e mente para o trabalho. Ele se assemelha a isso:

O que é o engajamento: Coração (heart), mãos (hands), espírito (spirit), mente (mind).
O que é o engajamento: Coração (heart), mãos (hands), espírito (spirit), mente (mind).

O coração significa sentido, paixão, satisfação e até mesmo encontrar alegria naquilo que se faz. Espírito significa atitude, energia e animação. É aquilo que sentimos quando entramos numa sala ou trabalhamos com uma equipe altamente engajada. Coração e espírito sugerem que devemos sentir o trabalho que fazemos. Infelizmente, é aqui que a maioria dos modelos de engajamento de colaboradores para, e é nisso que estão errados. Engajamento é mais do que apenas "sentir algo".

A mente significa intelecto, interesse, curiosidade e criatividade. As mãos significam esforço, produtividade e autodeterminação – usar as suas habilidades e seu suor para produzir algo de valor. A mente e as mãos sugerem que devemos fazer algo. Para ser totalmente engajado, devemos agir. Para resumir:

  • Coração e Espírito = Sentimento
  • Mente e Mãos = Ação

O engajamento exige que coloquemos nossas emoções e ações em uso – nossos corações, espíritos, mentes e mãos. Para nos engajar, precisamos sentir algo e agir com relação a esse sentimento. Se você tiver apenas um dos lados, você não tem engajamento. Você pode pensar nos sentimentos e nas ações como os dois remos de um barco. Eles são totalmente opostos. Mas ambos são necessários. Se você remar com apenas um deles, você se movimentará em círculos. Você pode chegar a suar e sentir que você deveria estar chegando a algum lugar, mas você não chegará. Mova os dois remos ao mesmo tempo e você fará progresso. 

Não Dá Para Ter Um Sem O Outro

Vemos esse tipo de esforço desperdiçado na maioria das chamadas iniciativas de employee experience dentro das empresas. Apesar de bem-intencionadas, essas iniciativas usam apenas um remo. Algumas têm como alvo o coração e o espírito, outras envolvem a mente e as mãos, mas poucas conseguem englobar ambas simultaneamente. O resultado? Muita energia sendo gasta, pouca distância sendo percorrida.

Às vezes, líderes sentem erroneamente que se a sua equipe remar bastante com um dos remos, o outro acompanhará. Recentemente, trabalhamos com uma empresa de tecnologia que tinha acabado de comprar seu formidável concorrente. A empresa compradora comunicou de forma efetiva as etapas da aquisição para os colaboradores de ambas as empresas, incluindo as razões por trás dela e as ações que deveriam ocorrer nos meses seguintes. Os colaboradores entenderam claramente que suas mentes e mãos seriam necessárias para que o processo de integração fosse tranquilo e também sabiam que isso era financeiramente benéfico para a empresa em geral. No papel, tudo parecia sólido. Mesmo assim, a integração falhou de forma terrível.

Rapidamente ficou claro que, embora as mentes e mãos estivessem ativas, os corações e espíritos estavam estagnados. Quando fizemos uma pesquisa com os colaboradores, descobrimos que, embora estivessem agindo, eles não estavam sentindo. Em resumo, a empresa falhou em conquistar apoiadores. Embora o processo estivesse muito sólido e claramente definido, a empresa compradora falhou em ver que quase um quarto das pessoas sentiam que o processo de integração provavelmente resultaria na perda de seus empregos.

Ainda mais prejudicial era o sentimento que descobrimos nos colaboradores da empresa compradora de que a empresa que tinha sido adquirida baseava-se em uma "cultura de bárbaros". Isso sim é tóxico. Eles fizeram muito pouco esforço para trazer os corações para a jornada, e, com isso, a aquisição estava condenada desde o início.

No outro extremo, trabalhamos com diversas empresas que trabalharam duro para dar atenção aos corações e espíritos, mas falharam no engajamento das mentes e das mãos. Essas empresas dão grandes passos para energizar a força de trabalho e até implementar um senso de paixão. Porém, apesar de os colaboradores se sentirem ótimos, não se exige que eles ajam. Essas empresas investem bastante esforço e dinheiro para criar o que elas achavam que era uma cultura de engajamento, mas, na realidade, elas eram apenas empresas que se sentiam bem sobre elas mesmas.

Quando você envolve corações, espíritos, mentes e mãos, sua organização sente e age. Você tem uma força de trabalho que produz suas próprias melhorias de linha de base para retenção, qualidade, atendimento ao cliente e rentabilidade. Você não precisa planejar para esses resultados se tornarem engajamento; isso é inevitável.

[1]Teresa Amabile, Steven Kramer, “Do Happier People Work Harder?”, New York Times Sunday Review, September 3, 2011.