Uma boa xícara de café pode ser algo raro no futuro. O aquecimento global, o desmatamento e algumas pragas agrícolas representam riscos reais à produção dos grãos. Além das consequências ambientais, está em jogo um setor de atividade que movimenta cerca de US$ 70 bilhões e envolve pequenos agricultores da América Latina e da África.

Em entrevista à Knowledge@Wharton, os especialistas Michael Hoffmann, professor da Cornell University, e Elizabeth Shapiro-Garza, da Duke University, especialistas no setor cafeeiro, alertaram para a gravidade da ameaça. “Precisamos começar a buscar soluções”, afirma Shapiro-Garza.

Eles explicam que, embora sejam duas as variedades de grãos mais utilizadas pela indústria – arábica e robusta –, as espécies “selvagens” são importantes para melhorar a qualidade delas. Funcionam como uma “biblioteca genética”, possibilitando cruzamentos que aumentam a resistência das mudas de café. Porém, existe um fungo que adora as novas condições climáticas, mais quentes e úmidas, e essa é uma praga muito perigosa para as espécies selvagens, como destaca Hoffmann, acrescentando que a doença faz parte de um conjunto relevante de desafios que o café enfrenta cada vez mais, em todo o planeta.