Tenso, examinou os bolsos da calça, da camisa e da mochila. Nada. Estava na South Station de Boston, esperando um ônibus para Nova York. Veio o mau humor. Tinha quatro longas horas pela frente e um notebook para terminar um trabalho que precisava entregar no Massachusetts Institute of Technology (MIT), mas faltava um elemento crucial: o pen drive. Todas as informações necessárias, copiadas do desktop que usava na universidade, tinham ficado em casa, dentro de uma gaveta.

“Em casos assim, o mais comum era me culpar, pensando: ‘Sou um idiota, não consigo me organizar’”, conta ele. No entanto, o que Houston deveria condenar era o atraso tecnológico do setor. As pessoas saíam do campus, local de acesso a todos os arquivos a partir de qualquer computador (todos estavam ligados em rede), chegavam ao mundo real e entravam na idade da pedra quando era preciso enviar as informações por e-mail ou fazer cópias em dispositivos de armazenamento externo. “Por quanto tempo íamos viver assim? Decidi resolver a situação. Não tinha o projeto de montar uma startup, mesmo quando constatei que poderia solucionar o problema de muita gente. Abri o editor de texto do computador e redigi as primeiras linhas do código que deu origem ao Dropbox.”

Era 2006. No ano seguinte, surgia o Dropbox, com financiamento inicial da famosa Y Combinator (Paul Graham, líder da incubadora, exigiu que Houston encontrasse um cofundador em menos de duas semanas). Em 2008, ele e o atual diretor de tecnologia, Arash Ferdowsi, que em duas horas concordou em entrar na sociedade (“Ele era quieto, mas claramente inteligente”, lembra Houston), apresentaram o empreendimento na TechCrunch50. Houston tinha 25 anos; Ferdowsi, que havia abandonado o MIT para investir na iniciativa, 23. Meia década depois, o Dropbox tornou-se um ícone do setor de armazenamentos na internet.