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Muito obrigado Hans. Por estar aqui conosco hoje. Você é um designer. Você dedicou sua vida a isso. Você pode definir para nós o que é design?

No meu caso é uma conexão de vida, através de paixão, dedicação, sorte e trazer sonhos à realidade. Você está definindo design ou vida? No meu caso isso está completamente fundido. Vamos explorar algumas palavras que você escolheu. Você pode repetir elas?

Paixão, eu acho que precisa pois tudo o que você fizer com paixão a chance de ter um bom resultado é muito possível. Vida, quando você não apenas, pensa em design no momento que você senta na mesa.

E você tem o desafio de trazer isso para o papel e para as máquinas. Viver cada momento que você olha para alguma coisa... inspirações. Isso é o que eu mais sinto quando as pessoas estão abertas, para conseguir inspiração através da vida.

- E torná-la como no meu caso, em design. - Como você se mantém aberto para inspiração através da vida? Se manter aberto significa que você pode olhar para alguma coisa que não tenha necessariamente haver com design. Qualquer elemento na natureza que te inspira a tornar talvez uma linha, uma forma, um objeto.

- Isso é inspiração. - Você vive como uma hora, um dia para observer a vida? Ou isso faz parte do seu comportamento? Como você dedica tempo e concentração para esse aspecto de inspiração? Eu não separo tempo pra isso. Flui, essa é a forma como eu vivo.

Vamos tentar definir, com os elementos que você citou, qual é o objetivo do design. E qual é o processo para chegar ao design. Qual é o objetivo de um bom designer? Eu acredito que o objetivo é a função. E quando a função alcança a beleza, o objetivo é perfeito.

Como você define beleza? Beleza é divina. Porque pode está em um corpo, um objeto. É eu acho, mais ou menos, que você não pode trazê-la apenas para certos elementos. - Eu acredito que beleza acontece em formas e atitude. - Para conseguir o fluir da criatividade,

você precisa de um grupo. O grupo é parte do fluir da criatividade. Você concorda com isso? E como você alcança isso? Como você trabalha com grupos para conseguir o fluir da criatividade? No meu caso trabalhando no Brasil, tive muita sorte porque o Brasil é muito intenso, colorido,

um lugar muito emocional. E eu conheci um grupo de pessoas muito abertas para aceitar um designer europeu mais claro. E vindo mudando completamente para cores, intensidade e efeitos especiais, enfim. Mas, eu acho que existe um ponto mágico. Se você consegue fazer com que as pessoas criem com você e trabalhem com você,

você precisa ter o talento de trazer pessoas para se apaixonarem. A partir desse momento, você junta as ideias e brinca, como se eu dissesse que eu não estou trabalhando. Eu sinto muito mais como se estivesse me divertindo. E isso é apenas a forma de guiar, achar o momento em que a energia está vindo.

De trazer algumas ideias, e fazer com que se tornem reais. Você tem alguma dica de como fazer com que as pessoas se apaixonem com o projeto. Como você faz isso? É muito fácil. Se você está apaixonado e faz com paixão, as pessoas virão.

E eles não vão perguntar quanto dinheiro vão ganhar. E quantas noites vão passar, sem dormir trabalhando. Porque eles sentem e veem você como exemplo. E essa é assim... Eu diria que eu fui muito sortudo pelas boas informações, designers, por ser de Viena e assim por diante.

Mas, essa capacidade de trazer pessoas para trabalhar com você, faz toda a diferença. Então, o ponto inicial para designers é liderança? Vamos voltar a falar sobre o que você disse. Estar sozinho com um quadro, com um pedaço de papel em branco. Como você começa?

Você recebe um trabalho. Você tem um pedaço branco de papel. Você começa assim, você começa andando nas ruas? Você começa olhando para o céu? Como você trabalha? Eu tenho uma experiência muito interessante. Quando eu comecei a me tornar uma pessoa criativa.

em Viena, estudando design. Você conhece a expressão: "horror vacui" Horror vacui foi o período onde o Barroco e Rococó surgiram.

Significa que as pessoas não aguentavam deixar alguma coisa clara. E por alguma razão eu tinha horror vacui. E quando eu comecei a me tornar um designer. Eu não podia pegar um pedaço branco de papel. Porque no momento que eu começava, eu estava quase que com medo

que esse desenho que viria, não seria tão bom como eu queria. E quando eu descobri a usar jornal, que já está cheio de textura e tons, você começa e coloca uma linha ali. Então você não é realmente responsável se a linha ficou perfeita. E quando você dá liberdade

e continua, você descobre que você deve impulsionar mais. É onde você cobre o cinza. E você descobre: agora eu me sinto bem para levar para digitalizar, para o computador, seja lá o que for fazer acontecer. Ok. Então, você começou a trabalhar com jornal para evitar o medo do branco.

Sim, e eu cheguei a conclusão, no ponto onde eu precisava parar com isso. Eu não podia me constranger por toda a vida. Eu não podia ter medo que eu não faria um bom desenho se eu não tivesse um jornal. - Hoje você superou isso? - Sim, completamente. Eu continuo pegando todos os papéis, onde eu os vejo.

Esse é o ponto como o logo da TV Globo foi criado. Em um guardanapo. Branco. Em um guardanapo branco. Porque não tinha nenhum outro papel por perto. Mas, eu continuo nos vôos, onde muita inspiração facilmente vem.

Eu apenas preciso pegar uma das revistas que estão sempre nos aviões. E apenas deixo o lápis fluir. E é mágico. A maioria das minhas criações mais importantes aconteceram no avião. Por que isso? A primeira coisa que eu pensei é que talvez porque você está perto do céu.

Mas, então eu pensei: sem telefone, sem computador. O que você pensa que é especial sobre isso? Pode ser. Porque em primeiro lugar não tem jeito, você não pode fugir. Ninguém vai requerer você para ir correndo a algum lugar. Ou pegar seu iPhone.

Mas, eu acredito que tem alguma coisa haver com o fato que você não está com as suas pernas, simbolicamente, no chão. - Então, talvez você irá se tornar um instrumento. - Quando você percebeu pela primeira vez, que você tinha um talento para designer?

Você estava em Viena? Provavelmente, você era criança? Me conte essa história. - Primeiro eu tive que fazer a decisão de deixar o branco. O que era a neve, porque eu estava quase me tornando um profissional no ski. Então, eu decidi pelo branco que é o papel.

O que é quase a mesma coisa. Porque esquiar te faz desenhar na neve. E ao pegar uma caneta, você faz os desenhos e as formas. E gradativamente em Viena eu descobri que em primeiro lugar meu sonho era ser um arquiteto. E eu não era como você talentoso, pintor de aquarela.

Eu estava mais fascinado por formas em branco. E esse se tornou meu estilo de desenho. Eu aprendi como desenhar um corpo, eu aprendi a como observar. Isso foi o melhor que eu tive em Viena. Porque meu professor, ele me mostrou que eu não podia nem mesmo fazer uma rosa.

Eu precisava fazer uma capa. Uma capa para Johann Strauss, O cavaleiro das rosas. E eu comecei a fazer desenhos. E esse foi um dos pontos chaves da minha história, da minha vida.

E eu pensei: é isso é fácil, eu sei como é rosa. E eu comecei a desenhar. Então, o professor veio e disse: me faça um favor. Ele tirou dinheiro do seu bolso e disse: vá lá em baixo, compre uma rosa, uma flor. Coloque aqui na sua frente e observe. E eu fiz, coloquei a flor.

E descobri que eu nunca tinha observado uma flor. Eu nunca tinha observado uma rosa, uma flor, sua arquitetura. E eu comecei a descobri que não é apenas a rosa que eu preciso observar. Eu preciso olhar para essa ferramenta. Eu preciso descobrir porque

ao invés de ter uma forma arredondada do topo. Se torna esse lindo desenho, como essa elipse. E isso é tudo. Eu aprendi a observar. O professor me mostrou. E esse é um grande problema que nós temos agora. Porque com todos esses jovens chegando agora.

Pulando no computador, sem ter alguém que ensine a como observar. a um corpo, a uma cadeira, a uma flor ou um copo de água. - Então, você descobriu que queria devotar sua vida ao designer. - Sim. - E onde entra o Brasil? Por que você quis ir ao Brasil?

Magia, destino, eu chamaria destino. No ponto em que eu deixei a Escola de Design. E eu realmente queria conhecer o mundo, como você. Eu queria viver cinco anos em cada continente. Porque eu vivia em um lugar lindo, Viena.

Na fronteira com a Suíça, Alemanha, Áustria, um sonho. E eu disse: mas, o mundo é tão pequeno. Por que eu não poderia ir passar cinco anos na Austrália, Canadá, América do Sul? Lá eu sou muito aberto para imagens, inspiração e ciência. E a ciência veio.

Porque em uma revista de design na Alemanha mostraram o nível de propaganda e design no Brasil. E eu disse para a minha família e amigos: eles tem um bom design lá, eu preciso tentar conseguir um trabalho lá. E eles disseram: você está louco?

- Quantos anos você tinha? - Eu tinha 25. E eles disseram: com o seu talento, você vai deixar esse lugar lindo, com essas oportunidades para a sua vida. Com o seu talento, vai para lá. Você vai achar apenas, macacos, bananas e cobras.

Tudo o que as pessoas sabem sobre o Brasil é carnaval, Amazônia, e alguma imagem vaga. E eu não falava uma palavra, eu não falava uma palavra em português. E eu convenci minha mãe que eu não iria embora para sempre. Mas, só por 20 dias.

- E você fez? E o que aconteceu quando você chegou aqui no Brasil? - Eu fiz. No Brasil, eu tive a experiência de que todas as pessoas que me viram. quando eu fui para as agências de propaganda, para os estúdios, procurar emprego...

Eles amaram meu trabalho. Eles disseram: você é um gênio. Mas, ninguém me deu um emprego. Estavam apenas muito empolgados, como são os brasileiros. E então, eles me chutavam para próximo gol. Daquele momento em diante eu fiquei 20 dias. Talvez o cara mais animado pelo lugar lindo, no Rio de Janeiro.

E eu descobri que talvez eu não alcançaria o ponto que eu queria. E no último dia eu conheci um cara no elevador. Ele olhou para mim. E me convenceu a não desistir. E ele me apresentou para uma pessoa muito influente.

E ele me levou ao quarto maior estúdio de TV do mundo, e tudo começou.