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O que é KaosPilot e o que significa liderança criativa? - KaosPilot é uma escola que é situada na Dinamarca, embora temos uma instalação operando também na Suíça.

É uma escola, principalmente, que oferece um programa de 3 anos, e vários programas para executivos. Mas também algumas atividades de consultoria.

Enquanto escola, é um híbrido entre escola de negócios e de design. É uma escola focada na promoção da liderança e empreendedorismo.

Para jovens e mais velhos, para empresas e indivíduos.

E liderança criativa? - Liderança criativa é uma maneira de retratar que tipo de liderança nós treinamos na escola, que tipo de liderança nós pensamos ser a melhor para o mundo.

Este tipo de liderança, que nós nos referimos como liderança criativa, significa que é...

O título "liderança criativa" é basicamente a liderança que faz ideias e pessoas crescerem. É a arte da ciência de fazer ideias e pessoas crescerem

através de parcerias para colaboração. A KaosPilot tem algumas parcerias ao redor do mundo, creio que li sobre uma parceria em Catalunha, na Espanha.

- Sim. Nós temos algumas parcerias distintas. Principalmente, elas são orientadas para projetos, o que significa que fazemos algo juntos com outros.

Por exemplo, em Catalunha, nós trabalhamos juntos com algo chamado "Corporate Field", que é como uma consultoria. E nossa maior colaboração lá é com Biocat, que é uma organização

que promove biotecnologia. Junto com eles nós fazemos um programa de empreendedorismo. O que significa que tentamos ajudar pessoas que têm ideias

a criarem empresas dentro do setor de biotecnologia. E vocês têm planos para expandir esse tipo de parceria? - Nós gostaríamos, mas temos que encontrar os parceiros certos.

E então adoraríamos fazer isso. Outra coisa é que, como somos uma organização razoavelmente pequena, precisamos ter cuidado com quem podemos, de fato, colaborar,

e onde podemos fornecer valor. Quais são as dificuldade principais apresentadas pelos estudantes da KaosPilot quando eles experienciam situações de pressão?

- No programa de três anos na escola, onde os estudantes operam funcionalmente no programa no qual eles se inscreveram,

todo o currículo ganha vida através de projetos reais, eles trabalham com clientes reais. Empresas que os dão tarefas, ou os estudantes inventam projetos,

e então eles têm que encontrar clientes. O maior desafio é que não há nenhuma determinada resposta correta ou errada. Você não pode estudar por um livro e dizer: "Essa é a resposta correta,

essa é a resposta errada." Não é possível. Significando que todo projeto, em parte, é único.

E isso significa que há muitas incertezas para os estudantes. "Qual é o caminho certo para isso?" "Essa decisão é melhor do que a outra?" "O cliente vai ficar mais contente com isso ou aquilo?"

Então, muito dessa experimentação que ocorre pode ser tanto bastante recompensadora para os estudantes, bem como pode ser bastante difícil. Pois, as expectativas não são sempre tão claras.

Vocês possuem algum tipo especial de ferramentas para os estudantes promoverem a criatividade e liderança? - Sim.

O programa de 3 anos é dividido em 4 matérias. Design de Liderança Criativa, Design de Projetos Criativos, Design de Processo Criativo e Design de Negócios Criativos.

Todas essas matérias contêm fundamentos teóricos e metodologia para como proceder. E muitas ferramentas para os estudantes obterem,

para que assim essas matérias tomem vida quando eles trabalham com os outros. Entretanto, o que é importante lembrar é que, se você tem um martelo e dá para o seu filho,

isso não o faz um carpinteiro.

O que é preciso fazer é assegurar essa matéria para eles, para um desenvolvimento da consciência do indivíduo, e, então, as ferramentas serão bastante úteis.

Então, os estudantes obtêm muitas ferramentas, mas, principalmente, recursos para aprendizado continuado. E nós tentamos passar para eles o entendimento

de que a ferramenta mais importante são eles mesmos.

Eles têm a oportunidade de desenvolver novas ferramentas constantemente. E é muito disso que a criatividade ajuda.

Quando você está em uma nova situação, pode olhar na sua mochila e pode encontrar uma ferramenta, tirá-la e ver se funciona. Mas, de vez em quando, todas as ferramentas que

você tem na sua mochila não são suficientes. É uma nova situação. Então o que você precisa fazer é desenvolver essa ideia, a mentalidade,

a atitude, com os estudantes, que eles podem desenvolver suas próprias ferramentas. Ferramentas mais inteligentes.

Para poder criar o novo, um novo futuro, talvez você não precise das ferramentas antigas, e você precisa de novas ferramentas.

A característica principal do líder criativo eu diria que é...

Tradicionalmente, liderança tem sido bastante instrutiva, é focada no fato de que o líder saberia mais

do que as pessoas que trabalham para ele. E isso significa que se eu trabalho para você e faço uma coisa errada, você pode me corrigir,

dizendo: "Essa é a melhor maneira de fazer isso." Entretanto, na sociedade que estamos agora, uma sociedade mais baseada no conhecimento,

não é tão fácil. Muitas vezes seus colegas de trabalho sabem mais do que você. Então, como um líder, se você tem que buscar para poder descobrir o que está fazendo, e como pode me fornecer respostas,

como fazer meu trabalho, assim, seu trabalho é impossível. Você não pode fazer isso. Então, a diferença principal da liderança criativa é parar de ser tão instrutivo

e focar mais na inspiração. Eu estava lendo um artigo de Michael Matte, ele diz que os líderes hoje em dia não estão pensando o bastante, que eles não estão permitindo seus times pensarem

o suficiente também. Às vezes, eles contratam os melhores profissionais na área e colacam essas pessoas para criar apresentações de PowerPoint, ou para ficar o dia inteiro em reuniões independentes.

Você concorda? Você acha que é um problema na liderança de hoje em dia? - Provavelmente depende um pouco em qual empresa, qual organização eles estão. Porque eu também poderia argumentar que o maior problema com os líderes de hoje

é que eles não fazem o suficiente. Tem muita gente que sabe muita coisa, mas nada sai, de fato, desse conhecimento. Mas eu também concordo com o que você acabou de me dizer,

no sentido de que, tradicionalmente, mais uma vez, nós estamos muito fechados para a ideia de que as pessoas que trabalham para nós deveriam fazer como dizemos. Eles deveriam fazer o que nós dizemos para fazer.

E eles deveriam fazer mais rápido, mais barato, de alguma maneira. No entanto, muito na sociedade que estamos vivendo, esse complexo ambiente de negócios que fazemos parte,

é muito barato. Não é suficiente.

Como líderes, nós não utilizamos nossos recursos bem o suficiente. Se nós nos certificarmos que nossos empregados não pensem por si próprios, se eu quero fazer meu trabalho como um bom líder,

preciso de todos da minha empresa pensando em como nós podemos fazer isso melhor. Não deveria ser somente minha tarefa, em me certificar que penso por todos. Talvez a liderança que deveríamos procurar no futuro seja mais

uma liderança do tipo ascendente. Na qual teríamos empregados qualificando os líderes, eles deveriam liderar seus líderes.

Porque se eu souber mais do que você, como posso lhe ajudar a ser meu melhor líder?

Eu preciso apoiar, certificar-me que você é o melhor líder que eu possa ter no mundo. Às vezes nós temos algumas experiências no KaosPilot que os estudantes vão, e eles reclamam, dizem: "Essa aula não foi boa."

Ou: "O projeto não foi bom." Ou: "Eu sinto que não aprendi nada. Faltou inspiração."

E o que é realmente difícil é explicar para essas pessoas que posso ser o patrão,

mas eu não sou Deus. Eu não posso colocar meu dedo nas pessoas e torná-las melhores. Não é possível. Eu posso apoiar,

eu posso certificar que eles tenham o melhor apoio possível para terem ótimas aulas, mas, finalmente, eu não posso.

Eu não posso fazê-los ótimos. Entretanto, meus estudantes podem fazê-los ótimos. Meus estudantes podem produzir decisões conscientes sobre:

"Essa pessoa está aqui, provavelmente porque ela tem algo para oferecer. Meu trabalho, enquanto estudante, é descobrir como trazer o melhor desta pessoa. Como eu, enquanto estudante, lidero meu professor, para que ele me forneça

todo o conhecimento que seja possível?" Quais são os desafios principais de um líder para encorajar criatividade no seu time? Dentro do tipo dele.

- Eu diria que há vários, muitos desafios, mas, certamente, um seria que você retira a ilusão de que nós nunca vamos falhar. Porque nós vamos falhar.

E é ok.

Muitas vezes, a partir da perspectiva do gerenciamento, nós não queremos incerteza. Nós queremos controle.

Nós queremos certificar que o resultado tem valor. Mas, em relação à criatividade, é muito bagunçado, você não sabe de fato.

Talvez você tenha que tentar dez vezes para ter algo que seja muito bom. Mas, em vez de olhar para nós como "nove falhas e um sucesso", talvez você possa dizer: "Eu aprendi nove maneiras que não funcionaram.

É isso também que aprendi, aprendi uma forma que funciona e nove que não." Agora eu sei isso. Então para poder trazer criatividade adiante, você precisa, talvez,

não tanto do que dar a seus empregados mais, você não precisa abrir a cabeça deles e colocar mais ferramentas. O que você precisa fazer é remover todas as coisas que estão no seu caminho.

Durante toda a formação, nós fomos treinados com o pensamento analítico. Nós fomos treinados de que há algumas maneiras de fornecer melhores resultados do que outros.

No entanto, penso que você pode argumentar que nós ajudamos os estudantes a pensar. Sim, mas nós os ajudamos a pensar de uma determinada maneira. Criatividade, em grande medida, é também aprender a pensar de novas maneiras.

E não somos tão bons nisso, então, enquanto gerentes e como organizações, nós precisamos criar espaço onde nossos empregados têm a possibilidade de lhe agradecer.

Liderar você mesmo, o time, os resultados, como fazer isso?

- Liderar você mesmo pode seguir um caminho do qual falamos mais cedo,

que a maneira como nós decidimos ser no mundo, a forma como conhecemos o mundo,

o jeito que nos encarregamos das nossas próprias carreiras, ou o que vemos como tarefas ao nosso redor. Isso tem muito a ver com autoliderança.

E essa é a primeira coisa, não é apenas uma escolha, para mim, é também um requisito, pois talvez nas empresas do futuro eles vão requerer isso. Eles vão dizer: "Sabe de uma, vamos lhe contratar

porque você é muito bom nisso e naquilo." "Entretanto, você não pode esperar ter um gerente ao seu redor e arrumando sua bagunça todo o tempo.

Você precisa ser capaz de mostrar um pouco de autoliderança."

Então autoliderança é também um reconhecimento de que "eu tenho poder." "Eu sou competente, eu tenho o conhecimento, tenho o mandato para fazer as coisas."

É também um requisito, embora eu seja focado em aprender constantemente.

E liderar outros, neste senso, você talvez possa dizer, nós falamos sobre, nesses termos. Então, se você for liderar menos nossos subordinados,

talvez precisamos colocar mais atenção para as pessoas ao nosso redor. Como nós vamos liderar nossos clientes? Como vamos liderar nossos conselhos?

Nossos gerenciamentos? Como vamos liderar nossos colegas? Pois eles têm muita influência no trabalho que estamos fazendo.

Mas nós não temos, necessariamente, a autoridade sobre eles.

E o último, liderando os resultados. Nós temos que, pelo menos pela nossa perspectiva, estar muito mais focados nos processos, no como.

Mas nós devemos também lembrar que os resultados realmente importam. No final, ótimos resultados podem gerar resultados ainda melhores. Então, não podemos apenas focar em pequenos melhoramentos aqui e ali,

nós precisamos pensar em quais são as grandes realizações que gostaríamos de ver.

A parte das ferramentas tecnológicas até apoiar empreendedorismo, que tipo de conteúdo comportamental relacionado a relacionamentos, produtividade, e liderança, deveriam as empresas transmitir

para suas próprias futuras gerações de líderes?

- Isso é uma coisa bem interessante, pois muitas vezes nós assumimos que precisamos, para poder aumentar a produtividade e efetividade, de muitas ferramentas e tecnologias etc, que iriam apoiar.

E, claro, novas tecnologias irão mudar drasticamente como fazemos nosso trabalho e também que tipos de resultados teremos no final.

Mas uma ferramenta é apenas uma ferramenta. Se não é seguida por uma mudança de comportamento, uma mudança de consciência,

não penso que vamos nos livrar disso quanto podemos. Em 1837, creio que seu nome é Friedrich Froebel,

ele criou o primeiro jardim de infância no mundo. Como um jardim, ele colocou vários objetos, tudo, desde círculos, até bolas e retângulos.

E ele permitiu que as crianças brincassem com isso. E seu reconhecimento foi que esses objetos, que ele se referia como presentes, convidavam os jovens para serem construtivos.

Não havia um modelo de como brincar com eles. Eles eram apenas permitidos de brincar livremente com eles. E o que aconteceu foi que, com um apoio positivo,

as crianças começaram a interagir e criaram muitas coisas novas. Montessori, o reformador educacional, também viu a mesma coisa, que dando a oportunidade à muitas crianças,

o que acontece é que elas irão olhar para todas essas coisas e irão se perguntar: "O que posso fazer com tudo isso?" E o que aconteceu para muitas das gerações, mas também nós como líderes,

quando nós somos colocados, quando objetos físicos são postos a nossa disposição, nós não perguntamos: o que posso fazer com isso? Nós perguntamos: o que isso pode fazer por mim?

É isso o que nós nos perguntamos. Então, no futuro, o que nós vamos mais precisar é do sentimento, da ideia e da cultura que apoia a primeira parte.

Quando olhamos para novas coisas e dizemos: "O que posso fazer com isso?" Em vez de julgar a tecnologia do que ela pode fazer para mim,

talvez o que precisamos pensar é: "O que posso fazer com tudo isso?" Este tipo de comportamento é o que irá construir empreendimento em comportamento, que é uma forte faceta do que é necessário para trazer inovação.