Os recursos do subsolo e os bancos dominaram por décadas o mundo dos negócios internacionais. A novidade é que também são essas categorias de negócios que se impõem entre as potências econômicas emergentes que o Gold-man Sachs identificou por suas iniciais: BRIC. Para demonstrá-lo, não é preciso nada além de uma olhada nas duas clássicas listas de grandes empresas: os rankings Fortune Global 500 (versão 2009) e Forbes Global 2000 (versão 2010), os mais atualizados disponíveis no momento da preparação desta reportagem.

O petróleo tem um poder um pouco superior ao das finanças. A Petrobras é a empresa brasileira que aparece mais bem posicionada em ambos os rankings. De petróleo e gás são também as três maiores líderes da Rússia: Gaz-prom, Lukoil e Rosneft. E o capítulo indiano, tanto na Fortune como na Forbes, é encabeçado por uma companhia petrolífera, só que não se trata da mesma: para a Fortune, cuja classificação é feita em termos de receita, a número um é a Indian Oil; para a Forbes, que faz uma ponderação mais complexa, é a Reliance Industries. Por faturamento, as empresas líderes da China são as petrolíferas Sinopec e a China National Petroleum, de acordo com a Fortune, enquanto a Forbes coloca na primeira posição um banco: o Industrial & Commercial Bank of China (ICBC). Ser apontada como a maior empresa em um mercado emergente maximiza a visibilidade e aumenta significativamente as possibilidades de obter contratos internacionais.

O fato de que imediatamente atrás das empresas petrolíferas do BRIC venham bancos sugere que o desenvolvimento é genuíno e está respaldado. Bradesco, Banco do Brasil e grupo Itaúsa (no qual sobressai Itaú-Unibanco), o russo Sberbank, o Banco do Estado da Índia e o China Construction Bank, além do já citado ICBC, compõem o reduzido grupo de empresas BRIC mais volumosas, do qual também fazem parte siderúrgicas, mineradoras e empresas de energia.