Ao longo da história, nenhuma criação humana exerceu maior impacto positivo sobre tantas pessoas e com tamanha velocidade como o capitalismo de livre-iniciativa. Sem dúvida, trata-se do maior sistema de inovação e de cooperação social já criado, pois proporcionou a bilhões de pessoas a oportunidade de participar da grande experiência de ganhar o próprio sustento e encontrar sentido existencial por meio da criação de valor para os outros. Em apenas dois séculos, as empresas e o sistema capitalista transformaram o planeta e a vida diária da maioria de nós. As extraordinárias inovações deflagradas pelo sistema libertaram parte da humanidade de trabalhos penosos e irracionais, comuns no passado, e nos permitiram uma existência mais vibrante e satisfatória. Tecnologias maravilhosas encurtaram o tempo e a distância, formando um único tecido transparente a cobrir a humanidade, estendendo-se aos redutos mais remotos do planeta.

Tudo isso já foi feito, mas ainda há espaço para novas conquistas. A promessa desse maravilhoso sistema de cooperação humana está longe de ser totalmente cumprida. Boa parte do mundo ainda não adotou os princípios essenciais do capitalismo de livre-iniciativa e, em consequência, a prosperidade e a satisfação coletivas ainda estão aquém do que poderiam.

Grande parte do século 20 pode ser visto como uma guerra intelectual travada entre duas filosofias sociais e econômicas opostas: o capitalismo de livre-iniciativa, baseado em mercados e pessoas livres, e o comunismo, marcado pela ditadura e pelo controle econômico por parte do Estado. Por todos os indicadores mensuráveis, o capitalismo ganhou a batalha. Social e economicamente, os Estados Unidos evoluíram bem mais do que a União Soviética, principal rival comunista. O mesmo aconteceu entre as duas Alemanhas, as duas Coreias, e com Taiwan, Hong Kong e Singapura em relação à China. Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, vários países começaram a se voltar para a liberalização política e econômica nas décadas de 1990 e 2000, conforme ficaram mais conhecidos os sombrios resultados das experiências socialistas do século 20. À medida que ganhava força essa transição para uma maior liberdade, muitas nações viveram um rápido crescimento econômico, e centenas de milhões de pessoas conseguiram escapar da pobreza.