A Tesla brasileira pode já estar em operação, esperando um investidor visionário preocupado com sustentabilidade e confiante de que a energia limpa vai dar grandes retornos no futuro, tanto em ganhos de capital como em good karma.

A indústria de energia está sofrendo abalos sísmicos em todo o mundo, e a Tesla é a parte mais visível dessas mudanças. A empresa catalisa as atuais tendências de novas tecnologias que só serão massificadas em cinco ou dez anos. Energia eólica e fotovoltaica microgeração de energia, carros elétricos e redes de energia inteligentes já ultrapassaram os estágios iniciais do chamado hype cycle (gatilho tecnológico inicial, expectativas inflacionadas e desilusão) e rumam para o platô da produtividade. O momento para investir nessas startups é agora, e o Brasil tem várias delas, com modelos de negócio sólidos e prontas para ampliar sua escala de produção. Mas, devido à instabilidade econômica, isso ainda não acontece.

“Os potenciais investidores em uma startup como a nossa estão com o pé atrás em relação ao Brasil”, diz Reinaldo Cardoso, cofundador da Renova Green, empresa curitibana que oferece serviço de energia solar por assinatura. “Além do alto custo do dinheiro e da falta de recursos, eles temem nossa instabilidade normativa. Um modelo de negócio que faz sentido hoje pode não ser viável amanhã, caso o governo decida mudar as regras do mercado.”