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Como é essa relação quando tem-se que dar feedback a um membro da família?

Bem, acho que feedback é difícil para todos dar e receber, não importa se é no trabalho ou numa família.

Feedback é como aprendemos sobre nós mesmos, é como aprendemos nos relacionamentos. Mas, quando estamos recebendo feedback negativo ou crítico, pode ser muito doloroso e, além disso,

a maioria de nós não é muito habilidosa em dar feedback também. Então feedback, por um lado, é uma das habilidades mais importantes que podemos ter na nossa vida,

no trabalho e nas famílias e, ao mesmo tempo, não recebemos muito treinamento para isso, ninguém nos educa em realmente como fazê-lo.

Então pode ser um desafio real, uma luta mesmo, acho, para seres humanos. Como trabalha nos seus projetos com as famílias e com as empresas para melhorar essa habilidade?

Sim, então uma das coisas que fazemos é, tradicionalmente, tipicamente famílias ou empresas querem que nós os ajudem a aprender como dar feedback melhor.

Veem dar feedback como a habilidade, e nós tentamos convencê-los de que dar feedback é importante, é uma habilidade, é útil aprendê-la, mas a habilidade realmente crucial é a habilidade de receber feedback.

Se você tem um que dá e um que recebe, é o receptador que decide o que o feedback significa, e se vão aceitá-lo e como mudarão. E então, nós realmente tentamos focar na pessoa recebendo feedback, e

trabalhamos com as pessoas para tentar entender que atrair feedback e então ficar bom em interagir com ele é extremamente importante.

Quais são as preocupações que tem que ter entre os membros de família? Bem, porque uma família, se quer dizer em um

negócio de família, sabe, a maioria das pessoas tem um local de trabalho e então tem uma família, e são separados. E assim, se tem uma conversa difícil e ruim no trabalho, pode ir para casa.

E pelo menos tem um lugar seguro ali. Se tem uma conversa ruim em casa, pode ir para o trabalho. Mas, com um negócio de família, ambos estão frequentemente em um

grupo de pessoas em um local. Então, faz essa tensão maior e o que está em jogo maior. Então, ficar bom em comunicação e bom em ter essas é ainda mais essencial

do que para quase qualquer outra pessoa em que posso pensar. Nesse assunto do feedback, então você acha que isso é mais difícil em negócios familiares?

Acho que é simplesmente difícil em todo lugar. É simplesmente difícil para seres humanos, eu acho.

E é especialmente desafiador nos negócios de família porque, se está num negócio e recebe feedback negativo do seu chefe, o seu chefe pode ser seu irmão, ou irmã,

ou um primo. Então, você não pode escapar deles. Além disso, tem a questão de qual é o seu papel no trabalho e seu papel em casa.

E podem ser muito diferentes e podem se enroscar muito facilmente.

O que ajuda realmente é simplesmente fazer essas conversas explícitas. Ser transparente e aberto sobre o fato de que temos essas conversas no trabalho, temos essas conversas em casa,

e como estamos lidando com elas, com esses papéis, às vezes, em conflito. As pessoas agem como se fosse permitido ter essas conversas, mas não podemos

falar de como estamos as tendo, ou como estamos lidando com elas. Mas, na verdade, ter essa conversa é enormemente útil. Dizer: "Tivemos a conversa sobre seus hábitos de trabalho,

mas como estamos nos sentindo sobre essa conversa, ela foi bem? Precisamos pensar em outras coisas? Isso impactou em nosso relacionamento em casa?"

Então fazer esses tipos de perguntas, claras e transparentes. Como você acha que as pessoas em um negócio de família podem evitar a mistura com o relacionamento pessoal?

Como você separa essas áreas?

Então como você separa? Eu não acho que pode. Eu acho que deveria tentar, acho que deveria tentar ser realmente clara: "Ok, isso é uma conversa de trabalho, isso é a respeito do seu papel

no negócio. E então, isso é uma conversa em casa." Então, acho que ambos os lados da conversa deveriam tentar ser claros sobre isso. Mas não acho que seja humanamente possível dizer: "Estou no trabalho,

então você gritou comigo no trabalho, mas agora estamos em casa e eu esqueço disso." Não pode fazer isso. Então tem que fazer duas coisas que são confusas.

Tem que tentar separar, ser explícito: "Isso é uma conversa de trabalho, essa é uma conversa de casa." Mas então também reconhecer que, em algum nível, você não consegue separar.

E que as duas pessoas em casa são as mesmas duas pessoas no trabalho. E isso vai impactar o relacionamento em ambos os locais, e tem que discutir isso, isso tem que ser um assunto para conversar.

Se você se iludir ao pensar: "Bem, isso foi no trabalho; estamos tendo um conflito no trabalho, mas não estamos tendo um conflito em casa."

As pessoas, os seres humanos simplesmente não funcionam assim. Não conseguimos segmentar tanto assim. Não é para dizer que tem que ter cada conversa em todo papel, em todo lugar, mas

simplesmente discutir: "Tivemos o conflito no trabalho, como isso impacta como somos em casa? E o que podemos fazer para proteger nosso espaço em casa?"

Quais você acha que são os erros mais importantes que as pessoas costumam cometer quando falam em conversas difíceis? Acho que o erro número um que todos cometemos como seres humanos é

que não ouvimos o suficiente. Se você perguntar para maioria das pessoas: "Você é um bom ouvinte?" A maioria das pessoas dirá: "Sim, sou um bom ouvinte.

Tenho dois ouvidos, quando estou numa conversa, às vezes, a outra pessoa está falando, às vezes, eu estou falando."

Mas isso é diferente de realmente escutar.

E especialmente quando o que está em jogo fica maior, e as coisas se tornam mais importantes, e especialmente quando há forte emoção - quer sinta raiva, ou frustração, ou medo, ansiedade, até paixão e alegria -

quando a emoção aumenta, a escuta diminui. E então, quando duas pessoas estão emotivas é quase como se estivessem tendo uma conversa com ninguém, porque ninguém está escutando.

E então, se estou tendo uma conversa difícil com você, e sinto que não está escutando, vou falar mais alto, e vou repetir meus argumentos várias vezes,

mas você está fazendo o mesmo. Então nenhum de nós está absorvendo, estamos ambos simplesmente projetando e defendendo, mas ninguém está, de fato, escutando. E é realmente difícil, quando está bravo,

é muito difícil escutar, porque envolve se acalmar um pouco. Como treina para ouvir melhor? Quando está frustrado, ou bravo ou magoado?

Terapia? Não, mas você usou a palavra-chave, é treino, ou mais simplesmente, pensar a respeito com antecedência.

Se sabe que terá uma conversa difícil, então a preparação deveria se tratar de lembrar a si mesmo de escutar. Para mim mesmo, mesmo eu ensinando isso para pessoas por todo o mundo, e

tenho ensinado por 20 anos, se eu estou prestes a ter uma conversa difícil, se não lembro a mim mesmo de escutar,

literalmente, só dois minutos antes da conversa, eu não escuto. Simplesmente não é o que se faz naturalmente.

E então eu saio da conversa pensando: "Uau, eu acabei de fazer um péssimo trabalho com essa conversa, mesmo tendo ensinado isso por 20 anos." É porque você não pode contar com seus instintos numa conversa, não pode

fazer o que é natural, porque o que é natural é argumentar e se defender. Então, você realmente tem que se lembrar: "Ok, eles falarão algumas coisas que farão com que eu fique bravo ou frustrado,

então eu tenho que me acalmar e me lembra de escutar." Ou, se não fizer isso, não vai. Então se colocar no lugar de outra pessoa é uma habilidade-chave e

poderia ser mais difícil com um membro de família, porque são tão próximos a nós, e nossos relacionamentos com membros de família são tão importantes e, às vezes, nós assumimos, pensamos: "Eu já sei tudo que essa pessoa pensa e sente."

E, então, pensamos: "Eu não tenho que tentar ver a situação do ponto de vista dela, porque já sei como a veem."

Mas isso é uma ilusão, eu acho, que sabemos tudo sobre ela. Então, com um membro de família temos que estar especialmente preparados para tentar ver seu ponto de vista, precisamente porque

é tão fácil se enganar ao pensar que já o entendemos. Quando tem que dispensar alguém numa empresa e é um membro da família,

quais são os desafios envolvidos nessa situação? Bem, isso há de ser a coisa mais difícil, dispensar alguém que é um membro da família de uma empresa.

Então, nada vai facilitar isso, não há uma forma secreta especial para fazer disso qualquer outra coisa além de algo muito desafiador.

E a habilidade é pensar nisso como qualquer outra comunicação de más notícias. Se estivesse se divorciando e tivesse que contar às crianças. Ou se fosse um médico e tivesse que contar a alguém que está doente.

Tem que lembrar que seu trabalho é comunicar a informação, dizer quais são as más notícias. E o trabalho deles é reagir seja como for. Podem não ficar muito contentes.

Podem ficar muito bravos com você. Podem deixar de ser seu amigo, ou deixar de te amar. Então, primeiramente, é claro, quer assegurar que essa é absolutamente a única escolha que tem, se tem que dispensá-lo.

E deveria estar preparando o terreno por muito tempo antes, em termos de falar com ele sobre o que não está indo bem, e falar com ele sobre o que tem que melhorar,

e sobre as consequências se as coisas não melhorarem; então, não deveria ser uma surpresa mesmo.

Ao mesmo tempo, se você está nessa posição e não tem escolha,

então, você simplesmente tem que comunicar as notícias, e não tentar passar por cima e dizer: "Está tudo bem, não fique bravo comigo." Simplesmente tem que deixá-lo ter seus sentimentos,

e esses sentimentos podem ser ruins por um tempo. Isso tem a ver com o feedback, certo? Certo, com o feedback, se está acumulando feedback para alguém,

para lhe dar no fim do ano,

e eles pensam: "Pelo ano todo, estou indo muito bem." E, de repente, descobrem que não estão indo bem, isso não é bom, certo? Então, isso é uma surpresa para eles, e não é justo com eles.

Se você sabe que estão tendo dificuldades ao longo do caminho, quer ter essas conversas ao longo do caminho para que, no fim do ano, eles olhem e digam: "É exatamente o que eu esperava."

As empresas têm maneiras de se preparar para esse processo de... - Sucessão, sim. - Sim, e esses tipos de perguntas num negócio familiar. Se uma empresa está preparada com

um conselho ou com uma diretoria, algo assim, isso ajuda a definir melhor os objetivos das pessoas? Sim, negócios familiares diferentes serão diferentes,

alguns querem fazer tudo sós, e outros se beneficiarão muito em ter uma estrutura externa e participação, para que quando algo dá errado, se estou trabalhando com meu irmão, e ele não está indo bem,

não precisa ser eu, pode ser um membro da diretoria, um administrador, um acionista, seja quem for que também esteja envolvido, pode ter esse relacionamento com ele, onde lhe dão feedback,

para que eu não tenha que fazê-lo necessariamente. Eu apenas lembraria as pessoas que o que chamamos, às vezes, nos EUA de habilidades comportamentais, isso é, comunicação, escuta, fala,

as habilidades comportamentais são, às vezes, as habilidades difíceis. Sabe, às vezes, é mais fácil fazer a planilha e tomar a decisão sobre marketing, e vendas, e expansão, do que simplesmente ter uma boa conversa

com alguém quando sua identidade pode estar em jogo, ou estão aborrecidos, ou há um elemento forte humano. Isso começa a ficar realmente complicado então. Seres humanos, eu acho, são mais complicados do que organizações,

cada ser humano individual. E então essas habilidades comportamentais de falar e escutar são igualmente as mais difíceis e, em muitos casos, as mais importantes.

- Certo. Obrigada. - O prazer foi meu.