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Vou falar sobre o antifrágil.

Primeiramente, vou dar um histórico disso.

Estão vendo esse cisne negro?

Eu o odeio. Sei que as pessoas associam às minhas ideias, à minha imagem, tudo tem o cisne negro, e interpretam mal o que eu queria dizer com esse livro.

Meu objetivo com o cisne negro é que existe incerteza.

Alguns eventos extremos ditam nossas vidas, e nós temos que construir estruturas para nos protegermos desses eventos extremos.

A maioria dos jornalistas não leu meu livro, mas escreveu longos artigos baseados nele pensando que o cisne negro é algo que se pode prever.

Vamos fazer um esforço para entender o cisne negro. Podemos criar modelos do que é frágil como algo que não gosta de volatidilidade,

isto é, frágil.

Se houver um terremoto, essa xícara de café não ficará feliz.

Se não houver volatilidade, ela ficará feliz.

Então eu percebi que talvez pudesse criar modelos para isso, e comecei uma carreira, há cerca de 13 anos,

apenas concentrada em modelar a fragilidade.

No processo, quando se quer modelar a fragilidade, você percebe que, como qualquer coisa na matemática,

é tudo menos óbvio.

Você coloca o sinal negativo na frente. Se eu pedir para as pessoas definirem "frágil", elas não sabem.

Outra coisa que pergunto é: "Qual é o oposto de frágil?", e elas também não sabem definir. Todas as vezes em que perguntei às pessoas

qual é o oposto de frágil,

elas diziam "robusto",

"sólido",

"resiliente"...

Isso não é o oposto de frágil, porque o frágil quebra o evento aleatório. O oposto de frágil é algo que quer ser prejudicado,

porque só pode melhorar depois de ser prejudicado.

Assim como o frágil só pode melhorar

quando não há volatilidade, e só pode piorar se você tentar prejudicá-lo; se houver volatilidade.

Isso tem a ver, de certa forma, com finanças e economia. Tem a ver com muitas coisas; tem a ver com questões de saúde,

e eu tenho trabalhado nisso basicamente escrevendo artigos que algumas começaram a entender 13 anos depois.

Com o frágil, você ganha dinheiro de forma estável. Você ganha dinheiro, ganha dinheiro, ganha dinheiro, e não tem nada além de notícias pequenas e positivas o tempo todo,

assim como os bancos dos Estados Unidos.

Quando se ganha dinheiro por dois, três anos em Nova York, as pessoas começam a te cumprimentar.

Se você ganha dinheiro por sete, oito anos, elas começam a rir das suas piadas. Elas começam a te adicionar no Facebook, então você é um gênio.

Você recebe bônus todo ano por ganhar dinheiro de forma estável, até que um dia não ganha mais esse dinheiro e perde tudo e mais um pouco.

Então, você evoca um cisne negro e mantém bônus antigos.

Isso é o frágil, é basicamente a recompensa dos bancos nos Estados Unidos, onde você ganha dinheiro de forma estável e depois perde tudo. Tudo que é orgânico

se beneficia de estressores e se comunica com o ambiente por meio de estressores, só precisa de um bom mecanismo para canalizar esses estressores

em algo positivo para o organismo.

Vou fazer uma pergunta bem simples para associar isso à economia:

a economia é mais parecida com um gato ou com uma máquina de lavar?

Nos últimos dois séculos e meio de economia, se pensava que ela era mais parecida com uma máquina de lavar.

Na verdade, a economia é mais parecida com um gato, ela precisa de estressores, senão não há crescimento. No passado, as pessoas achavam que um batimento cardíaco estável era bom.

O que um batimento cardíaco estável prevê, na sua opinião?

É um indicador de morte. Estatisticamente, é o indicador mais preciso da morte.

Se você tem um batimento cardíaco estável, significa que vai morrer. Basicamente, a volatilidade de seu batimento cardíaco – se você medir a pulsação de alguém ao longo do dia,

quanto mais volátil, mais saudável essa pessoa é. As pessoas não sabiam disso. Mesmo os médicos de hoje querem um batimento cardíaco estável.

Essa ideia de eliminar a volatilidade de nossas vidas está tão enraizada que não conseguimos nos livrar dela.

Ao mesmo tempo... Nós também precisamos estressar o nosso corpo; precisamos estressar as coisas. O melhor jeito de crescer é por meio da compensação excessiva.

Você gosta de recursos. Hoje, o país mais rico do planeta é Cingapura.

O que Cingapura faz?

Nada.

Eles não têm recursos. Eles são obrigados a transformar água em ouro. Se eles tivessem petróleo, seriam como a Arábia Saudita,

o que não é muito invejável.

Quando não se tem nada, você compensa excessivamente.

Vamos falar sobre compensação excessiva. Veneza não tinha nada, eles basicamente viviam do Mediterrâneo.

Existe o problema de pensar que são necessários recursos, quando na verdade é o contrário.

Quase nada cresce bem sem compensação extra. A crise não é necessariamente algo ruim, eu diria até que ela é necessária.

Por exemplo, no Vale do Silício

houve uma crise nos anos 2000,

e o que aconteceu?

Tudo está melhor. Então me dê uma crise pequena.

Um sistema saudável orgânico é treinado para isso.

Não pensemos como pessoas nos governos dos EUA e da Inglaterra

que queriam eliminar o ciclo de negócios.

Se tivessem dado a natureza para essas pessoas, o que elas teriam feito?

Não haveria estações do ano. Há uma razão para a natureza ter estações,

há uma razão para as flutuações,

e sem essas coisas não ocorre a regulação.

É bom estar em uma boa empresa, mas você nunca sabe previamente se está numa boa empresa, então a técnica é

conseguir agarrar a oportunidade quando ela vem.

Por exemplo, a Nokia fez celulares por muito tempo – hoje acho que não está fazendo quase nada –

mas antes disso, o que ela fazia?

Botas de borracha.

Talvez tivessem decidido que botas de borracha eram rentáveis, mas não elegantes,

ou talvez alguém tenha feito uma ligação dizendo que podia fazer melhor e eles começaram a fabricar celulares e esqueceram das botas, deixando os chineses fabricarem-nas.

Essa é uma empresa que conseguiu agarrar sua opção, e por isso se beneficiou, em certo ponto,

da antifragilidade. Vamos além e olhemos para o modelo de empresas que amam ganhar dinheiro

com seus próprios erros.

Quanto mais erros cometem,

melhores ficam.

Um desses setores é o farmacêutico. Há cerca de 100 mil remédios nos Estados Unidos

aprovados pela FDA.

Dentre eles, quase nenhum atualmente, talvez com exceção as drogas do AZT,

é usado para o que foi feito.

A aspirina, por exemplo, hoje é usada para afinar o sangue,

mas isso é um efeito colateral

de seu uso como analgésico.

Ela não foi criada para ser analgésico, foi feito inicialmente para baixar a febre.

Você tem um efeito colateral

e diz: "Ok, vou com o efeito colateral", assim como a Tiffany's disse: "Essa é uma oportunidade, vou usá-la".

Algumas empresas adoram cometer erros,

e para a indústria de fármacos a única forma de sondar a incerteza é por meio dessa técnica de tentativa e erro,

e às vezes o ambiente faz isso por você.

Em um ambiente complexo, você só consegue sondar a incerteza pelo conserto de tentativa e erro,

então você precisa ser anti-frágil, você tem que se posicionar, dizendo: "O erro custará pouco".

Se algo no espectro acontecer, será bom para mim. É assim que o mundo ocidental se desenvolveu.

Ele se desenvolveu da ciência; os chineses tiveram ciência.

Ele se desenvolveu da tentativa e erro. O crescimento do centro da Europa

nos últimos 300 anos vem da tentativa e erro inabitados. Antes disso, os romanos eram assim. Os romanos não acreditavam em teorias,

eles só queriam fazer tentativa e erro, e, efetivamente, eles tinham coisas que não temos hoje.

Eles tinham concreto, que não temos hoje, eles conseguiam construir coisas de um jeito melhor, e os segredos desapareceram,

porque descobriram por tentativa e erro sem contar para ninguém. Os romanos não gostavam de ciência. Os gregos gostavam de ciência, não os romanos.

Não tenha um plano de negócio que te prenda a nada.

Ao entrar numa estrada, certifique-se de que há saídas caso mude de ideia e vá para casa,

caso haja uma revolução e você queira voltar. Tenha o máximo de saídas, o máximo de chances para mudar seu plano e seu jogo.

Efetivamente, tente se beneficiar dos erros.

Voltando para a Pharma, agora estamos descobrindo - porque agora sabemos os segredos das empresas que antes não sabíamos - que remédios para curar o câncer surgem sem querer.

Muitos surgem de efeitos colaterais. Você precisa se certificar de que está se beneficiando

dos efeitos colaterais que são benéficos se posicionando dessa forma. O que é frágil não gosta de tempo,

mas o que é antifrágil gosta de tempo.

Por quê? Porque ele melhora com choques,

e o tempo traz mais choques.

Existe uma regra agora

de coisas que se beneficiam do tempo,

que eu chamo de Lindy Effect, que é assim:

existem algumas tecnologias

que não parecem tecnologias e que aumentam a expectativa de vida com o tempo. Estou sentado em uma: esta cadeira.

Ela não foi inventada pela Microsoft. Onde uma cadeira foi inventada?

No Egito antigo, 4 mil anos atrás, feita para ser um trono, não para isso. Há uma regra muito simples

para as empresas pensarem que são antifrágeis

e isso também implica tecnologia: se eu vejo um avô e um neto, posso dizer estatisticamente que o neto vai viver mais do que seu avô,

mas quando você vê a tecnologia, vê justamente o contrário.

Embora o mundo seja tecnológico – temos computadores, essas coisas –

tecnologias únicas são muito frágeis, e o tempo nos diz se elas são frégeis ou não,

porque tecnologias tendem a ser destruídas por outras tecnologias. Então há uma regra simples para as tecnologias: se você quer descobrir, leve um tempo.

Se eu quiser um carona para o futuro, não preciso prever o que vai acontecer no futuro.

Você faz apenas uma coisa: pega um tópico interessante hoje

que teria sido interessante 25 anos atrás.

Ele será interessante daqui a 25 anos.

Foi assim que escrevi Iludido pelo Acaso.

Se você prevê o futuro,

em vez de adicionar tecnologias, como cadeiras voadoras, exclua as tecnologias que chegaram há menos 25 anos – não porque não teremos tecnologias,

mas porque essas são as mais vulneráveis;

elas ainda não foram testadas,

ainda não foram provadas como antifrágeis.

Essa é a técnica para fazer isso.