O Brasil não deixa de ser um estranho no ninho do BRIC. É ocidental –e latino– entre asiáticos (mesmo a Rússia, dividida entre Oriente e Ocidente, tem forte influência oriental). É um país jovem em meio a culturas milenares e poderosas. Tanto que os especialistas acadêmicos e consultores de modo geral têm estudado e destacado predominantemente a Ásia. Não é exagero dizer que, se o BRIC tivesse cara, ela provavelmente teria olhos puxados no imaginário mundial. Isso também vale para Tarun Khanna, especialista da Harvard Business School em economias emergentes, que baseia suas pesquisas principalmente em Índia –ele é indiano de nascimento– e China.

A diferença de Khanna, porém, é que ele gosta do em-preendedorismo brasileiro. O professor começou a conversa com HSM Management dizendo que a cervejaria brasileira AmBev, agora parte da AB InBev, é ótimo exemplo de empresa capaz de se redefinir para ser mais empreendedora. “Por trás da AmBev encontramos um negócio muito eficiente, que soube aproveitar ideias de onde quer que elas viessem, e isso é fundamental.” Diga-se ainda que a cátedra que ele ocupa na Harvard Business School leva o nome de um empreendedor brasileiro: Jorge Paulo Lemann.

Ele fez questão de mencionar, ainda, que o Brasil é receptivo aos aprendizados de fora. Citou a Bunge, grande comerciante de sementes oleaginosas e grãos, que aproveita no Brasil todos os tipos de inovações originárias da Indonésia e da China.