Gilbert Wong, prefeito de Cupertino, no estado norte-americano da Califórnia, anuncia aos vereadores: “Como os senhores sabem, Cupertino tornou-se famosa por abrigar a Apple, e é uma honra termos conosco o sr. Steve Jobs para fazer uma apresentação especial. Sr. Jobs, por favor [...]”. E lá está ele, em gola rulê e jeans, aplaudido como não é costume nas reuniões da câmara municipal. É estranho vê-lo assim, no mesmo nível que nós, um homem magro em meio a outros cidadãos, em vez de sobre o palco, com uma tela gigante de projeção atrás de si. Ele parece fora de lugar.

“A Apple está crescendo como grama”, diz Jobs, em tom baixo e com voz por vezes trêmula. Mas não há nada de tímido em seu plano: a Apple quer construir instalações enormes no terreno que comprou da HP em 2010. A empresa já encomendou o projeto de um prédio que receberá 12 mil funcionários. Jobs mostra as imagens da estrutura circular de vidro e concreto que lembra uma espaçonave.

Ninguém sabia, mas a apresentação de Jobs naquela reunião de 7 de junho de 2011 era sua última aparição pública antes de renunciar ao cargo de CEO da Apple no final de agosto, o que ocorreu pouco mais de um mês antes de sua morte.