5- Inteligência artificial, atendimento ao cliente... qual é “o” desafio hoje?

As coisas estão ligadas. O desafio é garantir a execução de nossa estratégia de criação de valor para a companhia, que tem como um dos principais direcionadores o Plano de Produtividade. Uma de suas frentes é o uso de novas tecnologias, o que, por sua vez, vai facilitar o autoatendimento e a solução das solicitações dos clientes no primeiro contato. Vamos investir nisso cerca de R$ 4 bilhões no ciclo 2017-2021 – R$ 940 milhões já em 2017. Temos os primeiros resultados, inclusive: o DEC [duração da interrupção de energia por consumidor] foi de 14,12 horas no segundo trimestre deste ano , o que é uma melhoria de 33% em relação ao mesmo período de 2016. 

Destaco ainda as iniciativas de automação da rede de distribuição de energia elétrica, que incluem a instalação de religadoras automáticas (em caso de falha de fornecimento de energia, a rede religa automaticamente) e de detectores de falhas (identificam automaticamente em qual ponto da rede elétrica há falta de energia). Até o fim deste ano, esperamos instalar 2.500 religadoras automáticas e 7.200 identificadores de falta de energia. Além disso, já estamos usando analytics e self healing,  que nos possibilitam utilizar os dados para otimizar o trabalho das equipes e fazer programas de manutenção preventiva e preditiva.

Nossa transformação digital começou há dez anos. Mais de 70% de nossos atendimentos já são feitos por canais digitais. Digitalizamos todas as subestações e automatizamos mais de 1.200 câmaras subterrâneas, além de ter uma central de operação digital. Somos a primeira distribuidora do Brasil a ter medidores inteligentes homologados pelo Inmetro e pela Anatel – são feitos no Brasil, e com comunicação híbrida por radiofrequência mesh (RF) e por fio de rede elétrica (PLC). O medidor possibilita leitura remota para faturamento e maior controle de consumo pelo cliente, que com ele também consegue gerar a própria energia se quiser e “vender” o excedente no sistema de distribuição tradicional. A cidade de Barueri inteira deve ter medidores até 2019; o projeto começou em 2013, funcionando  como um living lab.

Temos uma visão clara do emprego da IA também: é possível automatizar inspeções da rede elétrica por reconhecimento de imagem usando drones com câmeras e melhorar a interação com os clientes com chatbots. O objetivo é fazer isso nos próximos meses.

Para inovar, cocriamos com startups, seja pelo programa Acelera – cujos direcionadores tecnológicos são eficiência energética, energy storage, carros elétricos, internet das coisas e geração distribuída –, seja em nosso próprio ambiente, no Cubo Coworking.

4- E as pressões para usar energias renováveis e enterrar fios em cidades?

Estudamos parcerias para isso. Em maio, em resposta a uma chamada da Aneel, instalamos uma miniusina de geração solar em dois parques da capital, Villa-Lobos e Cândido Portinari. Em parceria com o governo estadual, colocamos 262 painéis solares no Palácio dos Bandeirantes. Juntas, as iniciativas devem poupar 730 MWh por ano. E investiremos  quase R$ 60 milhões nas fases iniciais do projeto de enterramento de fios, que começa pela região central – é parceria com a prefeitura e as telecoms.

3- Segundo a LoveMondays, os funcionários gostam das empresas de energia; os millennials também?

É um setor onde as carreiras são longas e as empresas oferecem bons benefícios, o que explica o afeto. Mas sabemos que precisamos de jovens questionadores e protagonistas para inovar; com as novas fontes de energia e a geração distribuída, teremos grandes mudanças. Buscamos atrair esses jovens com nosso programa de trainee e nos aproximando das startups.

2 - Quanto o ambiente VUCA e a crise brasileira dificultam a vida do CEO?

No VUCA, as tecnologias nos trazem pressões de transformação, porém nos dão mais soluções. Agora, como nosso setor é regulado e precisa tomar decisões de longo prazo, sempre é desejável um ambiente um  pouco mais estável. No Brasil, as distribuidoras ganham preocupações extras por serem as grandes arrecadadoras de impostos do setor de energia. Falta alocar melhor o risco entre os agentes para as distribuidoras  poderem focar mais em fornecer bem os serviços.

1- O mercado se agita, com Neoenergia comprando Elektro, e AES podendo sair da Eletropaulo até 2020. Qual é o futuro?

Devemos migrar para o Novo Mercado da B3 ainda este ano; já tivemos a aprovação dos acionistas preferencialistas. Além de promover o avanço da governança, a migração vai facilitar nosso acesso a capitais. O futuro é sermos uma corporation. Não significa a saída dos acionistas atuais, só a desconsolidação, pois não haverá acionista controlador majoritário.

Saiba mais sobre Lenzi e a Eletropaulo

Quem é: CEO da AES Eletropaulo desde fevereiro de 2016, fez carreira em várias unidades da AES, inclusive na Índia. Ficou fora da empresa entre 2010 e 2016, quando foi presidente-executivo da Abragel, entidade dedicada à geração de energia limpa.

Formação: Graduado em engenharia eletrônica pela PUC-RS, tem pós em gestão pela FGV, especialização em automação pela Unicamp e programas executivos de gestão e liderança pelo Insead e pela Darden School.

A empresa: Distribui energia para a capital paulista e mais 23 cidades, atendendo 20 milhões de pessoas em contrato de concessão até 2028, renovável até 2058. Tem 7,3 mil funcionários e receita operacional bruta anual de R$ 20,5 bilhões (2016).

Tags: indústria 4.0; setor energético, energias renováveis